Fabricação da Bola de Futebol

Como uma bola de futebol é fabricada?

Quase toda bola de futebol fabricada hoje em dia é feita de couro sintético porque sua espessura varia muito menos do que a do couro natural. Normalmente, uma bola consiste de várias camadas de material que são revestidas com uma cobertura à prova d’água. As camadas são impressas e cortadas em gomos de diversas formas, normalmente pentágonos ou hexágonos, e também retângulos ou outras formas, que são costuradas juntas para formar a bola.
As bolas são finalizadas, tradicionalmente, à mão por costureiros habilidosos, apesar de que, cada vez mais, bolas são produzidas por máquinas. Leva-se cerca de quatro horas para se produzir uma bola costurada à mão com entre 1.400 e 2.000 pontos. A bola é costurada de dentro para fora. Antes da última peça ser costurada, a bola é virada do lado avesso, a válvula de borracha é inserida e o último ponto é dado, usando uma ferramenta curva especial. Isso permite que os costureiros puxem os fios de dentro da bola para garantir um acabamento liso perfeito.

Fatos históricos

Processos primitivos de curtume

O couro de animais foi, definitivamente, uma das primeiras vestimentas. Ele oferecia aquecimento no inverno, mas costumava ficar rígido no frio. No verão, apodrecia no calor e ficava bem malcheiroso! Sem o curtimento, as bactérias causariam a desintegração rápida do couro do animal, mas a arte do curtume é usar processos químicos e de acabamento corretos para criar a peça perfeita de couro acabado. A arte do curtume não mudou em centenas de anos, mas a velocidade e a sofisticação do processo sim. Por exemplo, há 150 anos, para fazer o curtimento do couro de maneira apropriada, podia-se levar até dois anos – hoje em dia, o processo inteiro pode ser completado em menos de uma semana.

Huge drums were used for tanning the hides. Photo courtesy of Pittards Leeds, UK

Fabricação de bolas de futebol de couro no século 20

A confecção da bola mudou pouco na última metade do século 20. O couro era o único material usado e as bolas eram normalmente confeccionadas como “caixas”de 12 gomos ou da variedade de 18 gomos. Ambas funcionavam a partir do mesmo modelo do cubo de seis lados arredondado desenvolvido por Joseph Pracey. Na versão de 12 gomos, os seis lados do cubo são divididos em dois e, na versão de 18 gomos, são divididos em três.

Nos anos 1920, os fabricantes começaram a usar um tecido forte para cobrir o couro, para impedir que ele esticasse e perdesse a forma. E melhoraram a resistência à água, revestindo o couro com materiais resistentes a água ou tintas sintéticas. Até os anos 30, todos os gomos de couro tinham de ser cortados à mão, então, dependendo da habilidade do cortador, sempre havia margem para erro. Já nos anos 30, entretanto, os fabricantes desenvolveram máquinas com facas moldadas, o que acelerou o processo de corte e gerou maior uniformidade. Os gomos também eram planos e cada costureiro tinha que fazer os próprios buracos de costura com um furador.

As desvantagens do couro

Qualquer um que já usou uma bola de futebol de couro diria que, naquela época, não havia nada como uma bola de couro novinha. Mas o couro tem suas desvantagens. Primeiro, nunca era possível saber quanto tempo aquela `sensação perfeita’ iria durar. Se os gomos de couro esticassem, a bola logo perderia o formato. Mas, pior do que isso eram os problemas de absorção de água. Apesar de vários revestimentos terem sido testados no fim do século 20, o couro ainda absorvia muita água e, no fim de uma partida na chuva, uma bola de couro podia pesar 25% mais do que quando a partida começou, o que resultava em um jogo menos controlado e não era tão agradável para os jogadores. Para ajudar a bola a manter sua forma e tamanho, forros de tecido eram usados para cobrir o couro mas, na maioria das vezes, o forro era muito forte, o que fazia com que a bola ficasse dura e com resposta ruim.

O couro também é um material natural e, apesar de acabado e raspado para uma espessura por igual, imperfeições aconteciam. De fato, o couro pós-guerra era de qualidade tão baixa que a bola estourou nas Finais da Copa FA da Inglaterra de 1946 e 1947!

Couro sintético

Uma grande descoberta na fabricação de bolas de futebol aconteceu nos anos 60 com o surgimento da primeira bola de futebol totalmente sintética.
Isso aconteceu porque os fabricantes começaram a procurar um material com maior consistência. Esta busca coincidiu com o desenvolvimento de couro sintético ou artificial. Ele foi desenvolvido originalmente não para as bolas de futebol, mas para o mercado muito maior de roupas, sapatos e acessórios como bolsas de mão. Isso fez parte de uma tendência muito maior de uso de materiais sintéticos para produzir bens de consumo, substituindo materiais tradicionais como aço, madeira, tecido e, obviamente, couro.

Materiais sintéticos são criados basicamente a partir de polímeros, moléculas de produtos químicos (na sua maioria derivados de petroquímicos como petróleo), que reagem juntos para formar longas cadeias. Combinações diferentes de produtos químicos produzem materiais com características diferentes. Por exemplo, polietileno é macio e pode ser usado para filmes plásticos, como os usados para sanduíches; o polipropileno é mais áspero e usado, frequentemente, para embalagens como as de iogurte; o poliamido é normalmente conhecido como nylon, que pode ser transformado em carpetes duros, escovas e coisas do tipo.

O PVC (clorido de polivinil) foi a primeira escolha para as primeiras bolas de futebol. Quando misturado com um plastificador, ele fica maleável e vem sendo usado na indústria de roupas para capas de chuva, por ser à prova d’água, e pode ser costurado facilmente. Algumas bolas de futebol são ainda feitas de PVC, mas essa não é a melhor escolha, pois elas furam facilmente e podem ficar duras no clima frio, e moles no clima quente.

Uma escolha melhor para as bolas de futebol acabou sendo o poliuretano, que é formado através das reações das moléculas de dicianato e diálcool, e é muito versátil. Uma forma de poliuretano pode ser transformada em fibras elásticas chamadas de spandex, normalmente vistas nas roupas de ginástica com Lycra. Outra pode ser formada ao se forçar gás pressurizado na mistura de polímeros e são usados, por exemplo, na forma macia para estofamento e na forma dura para pranchas de surf.

As pessoas que trabalham com couro natural odeiam o termo `couro artificial’, e preferem o termo mais correto de `material sintético’. Mas não há dúvidas de que, para o consumidor comum, seria muito difícil diferenciar o couro real e um material revestido com poliuretano sem uma inspeção detalhada!
Os materiais sintéticos são produzidos em fábricas especializadas numa linha de produção móvel. Peter Stonehouse, da fabricante de materiais têxteis J.B. Broadley, em Lancashire, Reino Unido, que produziu material para bolas de futebol até os anos 80 explica:

“Primeiro, um rolo de papel coberto com silicone com cerca de 1.000 metros de comprimento e 160 centímetros de largura é colocado no início da linha. O papel normalmente tem um desenho ou padrão que é reproduzido no material. O rolo passa por uma série de rolos de alimentação e uma solução de poliuretano é bombeada e espalhada com espessura igual sobre o papel. A espessura é de apenas alguns milímetros e, normalmente, contém pigmentos e outros aditivos para fornecer a aparência correta.

O peso do revestimento é checado para garantir que está espalhado uniformemente, e o rolo continua através de um longo forno para solidificar a cobertura. Aí ele é aquecido entre 70° e 150° Centígrados. Uma segunda camada de poliuretano é bombeada e espalhada sobre a cobertura anterior. A mistura é ainda mais grossa. Essa espessura pode ser criada ao se introduzir ar na mistura de poliuretano, como ao bater claras em neve ou introduzindo um agente químico que se decompõe e forma pequenas bolhas de gás.

Depois a segunda camada passa por um processo de secagem similar.

Para bolas de futebol, normalmente uma terceira camada é aplicada. O rolo de material de cobertura – polialgodão, normalmente – é aplicado no fundo do rolo de poliuretano enquanto ainda está maleável. Isso dá força ao material final e evita que ele estique e perca a forma – mas de uma maneira que não perca sua elasticidade.”
“Finalmente o papel é retirado para ser reutilizado posteriormente e o rolo de material acabado é cortado, inspecionado e entregue aos clientes.”

Muitos testes e tecnologia são necessários para se encontrar o material de poliuretano perfeito para bolas de futebol, porque as bolas devem seguir certos critérios. Primeiro, as Regras do Jogo dizem que ela deve pesar entre não mais que 450 gramas e não menos que 410 gramas. Levando-se em consideração o peso da bexiga, válvula e fio de costura, os pedaços cortados de couro devem ter um peso exato para atender à diferença, portanto é importante que a espessura do material seja calculada exatamente.

Além disso, a bola deve ter uma circunferência entre 68 cm e 70 cm. Considerando-se que os pedaços estejam do tamanho e formato corretos, é possível concluir que isso é fácil de conseguir com uma folga de dois centímetros. Entretanto, a bola também deve ser inflada com até 1.1 bar, o que gera tensão no material. Se o material for muito macio, a bola infla demais (como borracha macia ou um balão) para atingir a pressão necessária e ficará muito grande.
Esta é uma das razões pelas quais o filme de poliuretano é revestido com um material de suporte – ou seja, para minimizar a elasticidade. Mas, por este material de suporte ser entrelaçado, ele terá uma certa elasticidade natural. O material é formado a partir de fios colocados num tear. Longos conjuntos de fios conhecidos como a ‘dobra’ são colocados longitudinalmente e partes móveis entrelaçam fios em cima e embaixo dos fios longitudinais. Isso é conhecido como ‘trama’. Puxe um pedaço do material e você verá que há muito mais espaço para se esticar na trama do que na dobra e, no que diz respeito a roupas, é importante que os fabricantes levem isso em conta.

O mesmo se aplica a bolas de futebol. É importante que a quantidade de elasticidade no invólucro da bola esteja igualmente balanceada. Se a bola fosse confeccionada com a elasticidade toda para o mesmo lado, eventualmente, com o tempo e o uso, ela ficaria mais oval e desbalanceada. Portanto, diversas características do material das bolas são testadas antes de chegar aos fabricantes de bolas.

Por exemplo, o material é testado para resistência à abrasão e ao desgaste e também para que as camadas não rasguem porque foram descascadas. A elasticidade e o ponto de ruptura são medidos com uma máquina de força. Peter Longstroth, gerente de controle de qualidade na Broadley, diz “A elasticidade geral na dobra deve ser de cerca de 12 por cento antes do material se partir e na trama, entre 12% e 25%.” Isso significa que há mais elasticidade de um lado do que do outro.”

Os materiais podem ser testados num laboratório, mas eles devem ser transformados em bola para se ver mais precisamente como iria se comportar sob as pressões de uma partida e num clima úmido.

Material sintético produzido em rolos de 1.000 metros numa linha de produção móvel. Foto cortesia da J.B. Broadley, Leeds, Reino Unido

Fazendo uma bola de futebol

Independentemente se uma bola é feita de couro ou com material sintético, o método de se fazer uma bola à mão mudou muito pouco nos últimos cem anos. Um nome bem conhecido nos anos 70 era Minerva, que produzia bolas no norte de Londres. Esta é uma demonstração, passo a passo, que mostra como uma bola era feita. O processo é mais automatizado agora, com a impressão, impermeabilização, corte e buracos feitos por máquinas, mas a costura à mão ainda é feita, exatamente, da mesma forma que há um século.


Photos courtesy of Chris Fairclough from his book ‘Making Footballs’

Fabricação de uma bola de futebol moderna

À medida que a popularidade do jogo cresceu drasticamente e globalmente, a natureza da produção também começou a mudar. Firmas menores descobriram que não conseguiam mais competir com o preço de companhias grandes, que eram capazes de se aproveitar do mercado global para fornecer material e mão-de-obra.

Agora, mais de 40 milhões de bolas de futebol são produzidas por ano. Elas variam de preço de uns poucos dólares até $150 ou mais. É difícil estimar o número atual de fabricantes de bolas de futebol no mundo, mas basta dizer que cerca de 90 fabricantes são licenciados FIFA. Isto inclui: as maiores marcas espalhadas pelo mundo que somam três quartos do mercado; companhias um pouco menores que ainda fazem parte do mercado global; aquelas que são bem conhecidas e vendem majoritariamente nos seus próprios países; até os pequenos produtores que produzem apenas algumas centenas de bolas por ano. Obviamente, muitas das companhias conhecidas produzem roupas e calçados esportivos também, e desse modo, as bolas são apenas um de seus produtos.

No que diz respeito às marcas maiores, o marketing e a distribuição são feitas principalmente de centrais americanas ou européias com escritórios satélite, ou agentes, nos mercados majoritários. A produção tanto do material quanto das bolas é quase exclusivamente feita na Ásia. Ficou para trás o tempo em que uma vaca morta era mandada para ser curtida localmente, e depois para as fábricas de couro para ser transformada em bolas de futebol. No século 21, materiais sintéticos podem vir da China, Coreia, Taiwan, Índia, Tailândia ou qualquer outro país asiático, e podem ser costurados em outro país. A possibilidade é que a bola seja feita no Paquistão e na região Sialkot, em particular. A região se tornou especialista na produção de bolas, com uma proporção para marcas locais, mas a maioria sendo feita para um dos grandes fabricantes.

 

Fonte: http://pt.footballs.fifa.com

São Paulo – Brasil –  23:57

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JGalvão

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9 responses to this post.

  1. Posted by Sandro Hereda de Sanctis on março 29, 2012 at 11:37 am

    Boa Tarde !!
    Tem como vcs me enviar por Emeil,como fazer a bola de couro?
    Os materiais pra fazer a bola de couro.
    Eu já trabalhei na fábrica de calçado..

    Resposta

    • Bom dia, Sou o organizador da 11ª Copa Minas & Espírito Santo de Futsal, nas categorias: sub 9, sub 11, sub 13, sub 15, sub 17, sub 20 e Feminino idade livre, que acontece no norte do ES e Leste de MG e hoje envolve em torno de 1000 atletas e sendo assim a cada jogo realizado gostaríamos de escolher o melhor jogador partida e premiá-los com uma bola de futebol, mas pesamos em uma bola promocional ao evento (uma bola pequena), e partindo desta ideia venho perguntar a sua empresa teria como porduzir estas bolas em torno de 200 bolas pequenas.
      Meu email robertocgomes1@hotmail.com

      Resposta

      • Olá, Roberto,
        Nós não fabricamos bolas de futebol, apenas achamos um assunto interessante e postamos em nosso blog.
        Agradecemos a sua visita.

        Att.,

        Equipe Batom e Futebol

  2. Posted by EU on julho 14, 2012 at 2:18 pm

    Queria saber se poderia enviar-me algumas imagens de formato diferentes de gomos de futebol..

    Resposta

  3. muito bom isto é uma verdadeira arte não é mesmo parabéns…

    Resposta

  4. Posted by mércia Andrade on março 14, 2013 at 2:22 pm

    Boa tarde!
    Vendo há 20 anos camaras de ar de latex para os estados do Brasil, porque é tão difícil sobreviver com entrada das camaras de ar e bolas importadas no Brasil.Gostaria de vender minhas câmaras de ar em outros países, pois vou acabar ficando sem emprego. Hoje todo mundo quer camaras de butil, sendo que questão de qualidade a camara de latex é muito melhor para a performa da bola.

    Resposta

    • Posted by Olinda Escarmanhani De Curcio on maio 13, 2014 at 4:59 pm

      Estou precisando de encontrar uma empresa que trabalhe com esse produto. Gostaria de maiores detalhes, quanto as gramatura em fins das câmaras que você fabrica.Aguardo.

      Resposta

  5. queria saber se vocês tem forro de bola pra revenda e câmaras de ar.
    se vocês tiverem pra vender queria uma resposta.

    Resposta

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