Archive for dezembro \31\UTC 2010

Edison Arantes do Nascimento – Pelé

 

Edison Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé, nasceu em Três Corações  Minas Gerais – Brasil no dia 21 de outubro de 1940 .

Pelé é considerado o maior jogador da história do futebol, reconhecido internacionalmente. Recebeu o título de Atleta do Século.

Filho de dona Celeste Arantes e de João Ramos do Nascimento, conhecido futebolista no sul de Minas Gerais, alcunhado Dondinho, em 1945, mudou-se com a família para Bauru (São Paulo). O nome “Edison” foi escolhido pelo pai para fazer uma homenagem ao inventor Thomas Edison.

Ainda criança manifestou a vontade de ser futebolista. Ironicamente a alcunha “Pelé” que serviu para identificar o jogador considerado o maior goleador de todos os tempos teve origem num goleiro. Em 1943 o pai de Pelé jogava no time mineiro do São Lourenço. Pelé, que então tinha três anos, ficava bastante impressionado com as defesas do goleiro da equipe do pai e gritava: “Defende Bilé”. As pessoas próximas começaram a chamá-lo de “Bilé”. Muitas crianças colegas do garoto Edison tinham dificuldade em pronunciar “Bilé” e com o tempo o apelido virou “Pelé”.

Com onze anos já jogava em um time infanto-juvenil, o Canto do Rio, cuja idade mínima para participar era de treze anos. O pai então o estimulou a montar o seu próprio time: chamou-o Sete de Setembro. Para adquirir material, como bolas e uniformes, os garotos do time chegaram a furtar produtos nos vagões estacionados da Estrada de Ferro Sorocabana para vender em entrada de cinema e praças.

Posteriormente, viria a jogar no Baquinho, o time de maior referência da juventude do Pelé. O time principal era o Bauru Atlético Clube (BAC), da categoria principal da cidade e de onde derivou o nome do time juvenil. O convite para jogar no Baquinho partiu do Antoninho, que oferecia até emprego para os jogadores. Foi o Antoninho, ainda, quem dirigiu o primeiro treino do time. Depois, o Valdemar de Brito, famoso jogador do passado e técnico dos profissionais, passou a treinar a equipe. Foi ele quem levou o Pelé para a equipe do Santos, onde adquiriu fama internacional. Certamente, o brasileiro de maior projeção no exterior. Uma das pessoas mais conhecidas e reconhecidas no planeta.

Pelé começou sua carreira no Santos FC, em 1956 e disputou sua primeira partida internacional com a seleção brasileira dez meses depois. Nos anos 1960 foi convidado para jogar fora do Brasil, na Europa, mas preferiu ficar no seu clube de coração, o Santos.

Professor de Educação Física, formado em 1974, pela Faculdade de Educação Física de Santos (Universidade Metropolitana de Santos)

Foi ministro dos Esportes do Brasil de 1995 a 1998. Nessa época aprovou mudanças na Lei Zico, que passou a ser conhecida como Lei Pelé. A legislação, muito criticada pelos dirigentes de clubes brasileiros, na verdade segue em linhas gerais as diretrizes internacionais da FIFA para contratação de jogadores.

Em 2000, na conturbada eleição de Melhor Jogador do Século da FIFA, Pelé foi aclamado como o melhor de todos os tempos, a frente do craque argentino Diego Maradona.

Camisa 10

Depois de Pelé, a camisa 10 passou a ser vestida pelo melhor jogador do time, tanto no Brasil quanto no exterior. No time do Santos e no do Cosmos de Nova York, ele utilizava esse número por ser o meia-esquerda.

Gol de Placa

O Termo “gol de placa” surgiu por conta de um gol marcado por Pelé no Torneio Rio-São Paulo. O jogo em que Pelé marcou o primeiro gol de placa da história ocorreu em um dia 5 de março na partida Fluminense 1 x 3 Santos, válido pelo Torneio Rio-São Paulo de 1961. O gol ocorreu aos 40 minutos do primeiro tempo e foi o segundo de Pelé no jogo. Após driblar vários adversários vindo do meio-de-campo com a bola dominada, Pelé venceu o então goleiro Castilho fazendo com que o Maracanã e o jornalista Joelmir Beting explodissem em euforia. O jornalista, empolgado com o fantástico gol que havia visto, disse que tal gol merecia uma placa tamanha sua beleza. Assim, uma placa de bronze foi feita e colocada na entrada do Marcanã onde permanece até hoje. Desde então, todos os gols marcados com rara beleza são intitulados “gols de placa”.

Seleção Brasileira

Estréia: convocado pela primeira vez pelo técnico Sílvio Pirilo depois de brilhantes partidas no Maracanã, na qual atuou em um combinado do Santos e Vasco da Gama. Derrota de 1 a 2 para a Argentina em 1957, pela Copa Rocca. Gol dele.

Copa de 1958: convocado com 17 anos, se machucou na véspera da competição, mas Paulo Machado de Carvalho resolveu levá-lo assim mesmo. Estreou no terceiro e decisivo jogo do Brasil, juntamente com Zito e Garrincha. Ele não marcou, mas o Brasil venceu por 2×0 a URSS. Nessa copa Pelé foi chamado pelos franceses de “Rei do Futebol”, dando início a uma verdadeira lenda internacional, tornando-se uma das personalidades mais conhecidas do mundo.

Copa de  1962: Pelé se machucou na virilha, no segundo jogo do Brasil. No primeiro ele havia feito um gol. Não jogou mais aquela competição.

Copa de 1966: Pelé foi caçado em campo pelos adversários, que usavam do chamado “Futebol Força” para surpreender o Brasil. Jogou apenas duas das três partidas que o Brasil disputou naquela Copa. Fez sua última partida com Garrincha, na vitória de 2×0 sobre a Bulgária. Juntos, os dois astros nunca perderam uma partida de futebol pela seleção.

Copa de 1970: Ameaçado de ficar no banco de reservas, quando Zagallo assumiu a seleção, Pelé jogou tudo que sabia e comandou o Brasil na sua mais impressionante campanha em Copas, ganhando definitivamente a Taça Jules Rimet.

DespedidaMaracanã, dia 18 de julho de 1971, com público de 138.575 pagantes. Brasil 2 a 2 Iugoslávia.

Clubes

Santos Futebol Clube

19561974

Estréia: Santos 7 – 1 Corinthians de Santo André, em 7 de Julho de 1956. (primeiro gol de Pelé, sexto do Santos na partida).

  • Última partida: Santos 2 – 0 Ponte Preta, 2 de outubro  de 1974.

New York Cosmos

  • 1975 a 1977
  • Última partida: New York Cosmos  2 – 1 Santos, no Giants Stadium (Nova Iorque), em 1 de outubro de 1977. Pelé atuou um tempo por cada equipe e marcou o primeiro gol da equipe estadunidense cobrando falta.
  • Além da Seleção Brasileira, Pelé se despediu como jogador do Santos em 1974 (vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta) e do New York Cosmos (1977, jogando um tempo em cada equipe, marcando um gol pelo time nova-iorquino que venceu o Santos por 2 – 1). Na festa estadunidense, com direito a participação de Mohamed Ali, Pelé daria seu grito repetido por milhares de pessoas: “Love! Love!”.
  • Seria a estrela de partidas de despedida de outros astros, como Garrincha em1973  (fez um gol pela Seleção Brasileira, driblando toda a defesa adversária formada por estrangeiros que atuavam no Brasil); e da de Beckenbauer em 1982, quando fez seu último gol. Carlos Alberto Torres reclamou que Pelé não participou da sua despedida. Tanto Beckenbauer como Carlos Alberto, foram seus companheiros no Cosmos.

As despedidas

  • Além da Seleção Brasileira, Pelé se despediu como jogador do Santos em 1974 (vitória por 2 a 0 sobre a Ponte Preta) e do New York Cosmos (1977, jogando um tempo em cada equipe, marcando um gol pelo time nova-iorquino que venceu o Santos por 2 – 1). Na festa estadunidense, com direito a participação de Mohamed Ali, Pelé daria seu grito repetido por milhares de pessoas: “Love! Love!”.
  • Seria a estrela de partidas de despedida de outros astros, como Garrincha em1973  (fez um gol pela Seleção Brasileira, driblando toda a defesa adversária formada por estrangeiros que atuavam no Brasil); e da de Beckenbauer em 1982, quando fez seu último gol. Carlos Alberto Torres reclamou que Pelé não participou da sua despedida. Tanto Beckenbauer como Carlos Alberto, foram seus companheiros no Cosmos.

    Curiosidades

    Apesar de ser um torcedor santista, Pelé era vascaíno durante a sua infância em Bauru. Pelé vestiu a camisa do Vasco no início da sua carreira, em junho de 1957, em três partidas no Maracanã, contra Belenenses (Portugal), Dínamo Zagreb (Iugoslávia) e Flamengo. Pelé marcou gols em todas as partidas.


    Pelé conta que certa vez, seu pai, Dondinho, lhe mostrou um recorte de jornal que falava de um jogo em que ele fizera cinco gols, todos de cabeça. Esse recorde de seu pai nem o “Rei” conseguiu superar.


    Pelé esteve para ser contratado pelo Bangu, time do Rio de Janeiro, mas sua mãe não queria que ele mudasse para tão longe de São Paulo.


    Patrocinado por uma marca de refrigerante famoso internacionalmente, Pelé filmou várias “aulas de como se jogar futebol” no início dos anos 1970: nelas, pode se observar a sua técnica: “matadas” de bola no peito, dribles de todos os tipos (“chapéus”, tabela com a “canela” do adversário), cabeceio com grande impulsão e também de “peixinho”, chutes fortes. Pelé também mostra como ele jogava com as pernas dobradas, para melhorar seu equilíbrio em função do centro de gravidade do corpo.


    Ameaçado de perder a artilharia do Campeonato Paulista de 1964 pela primeira vez desde 1958, Pelé marcou oito gols em uma só partida: vitória do Santos por 11 a 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto. Milton Neves conta que o técnico do time do interior Osvaldo Brandãoperdeu o cargo logo após essa goleada, mas foi contratado pelo Corinthians. No seu novo clube, na estréia, o Corinthians ganhou de 7 a 4, com Pelé marcando 4 gols contra.


Pelé afirma que seu gol mais bonito foi marcado no estádio do Juventus na rua Javari (bairro da Mooca) em 2 de   agosto de 1959 noCampeonato Paulista. Como não existem imagens deste feito, Pelé aceitou recriá-lo através de computação gráfica, para o documentário Pelé Eterno.

 

Pelé parou temporariamente a guerra civil no Congo Belga em 1969, quando, durante excursão pela África, o Santos jogou duas partidas de exibição no país, então dividido pela guerra.

Além de ter atuado em clubes, Pelé ainda atuou por algumas seleções e combinados regionais e em apenas três oportunidades, não deixou sua marca.

  • Seleção do 6º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado (6º GACosM)(1959), 11 gols
  • Seleção Paulista (1959-60 e 1968/69), 11 gols
  • Seleção das Forças Armadas (1959), 4 gols
  • Seleção dos Sind. dos Atletas-SP (1961/62), 3 gols
  • Seleção do Sudeste (1983), 1 gol
  • Seleção dos Amigos do Garrincha, 1 gol
  • Seleção Norte Americana de Astros (1975)
  • Seleção dos ex-atletas do New York Cosmos (1984)
  • Seleção Brasileira de Seniores (1987)
  • Pelé também defendeu a camisa de uma outra seleção nacional, em 22 de abril de 1978, para promover uma excursão do Fluminense pela África, Pelé atuou pela seleção da Nigériaaté os 35 minutos do primeiro tempo, quando foi substituído por Nalando. Na mesma excursão, Pelé disputou uma partida com a camisa do Fluminense. O jogo ocorreu na cidade de Kaduba e terminou com a vitória de 2×1 em cima do Racca Rovers, que no mesmo ano se tornou campeão nacional.
  • A polêmica acerca do gol número mil do “Rei do futebol”, se deu pois constatou-se um erro ao não se computar um gol que Pelé marcou pela Seleção das Forças Armadas do Brasil contra a Seleção das Forças Armadas do Paraguai, no placar final que foi de 4 a 1 (e não 4 a 3 como se veiculava na época) do dia 18 de novembro de 1959 (e não 5 de novembro) o “rei” marcou um gol, e com isso o “verdadeiro” gol 1000 teria ocorrido em 14 de novembro de 1969, cinco dias antes daquele que foi imortalizado no Maracanã, em um amistoso contra o Botafogo da Paraíba, na partida de inauguração do estádio Governador José Américo de Almeida, aos 23 minutos do segundo tempo, também de pênalti Pelé fez o terceiro gol da partida e àquele que “corretamente” é o seu milésimo gol. Todavia, Celso Unzelte, numa reportagem para Placar a qual citou no programa “Loucos por Futebol” da ESPN, provou com imagens de TV que um gol de Pelé feito contra a Seleção da Checoslováquia em 1965, constante da lista original, na verdade foi de Coutinho. Dessa forma, segundo ele, estava restabelecido o milésimo gol como sendo o feito sobre o Vasco da Gama.
  • Foi o maior carrasco do Sport Club Corinthians Paulista, rival do Santos Futebol Clube, em um total de 47 partidas pelo Santos ele marcou 48 gols, com uma média de 1,02 gol por partida, outros dois gols foram marcados com a camisa da seleção Brasileira, na partida Brasil 5 – Corinthians 0, completando assim 50 gols em 48 partidas.
  • No dia 6 de abril de 1979, já aposentado e aos 39 anos de idade, Pelé vestiu a camisa do Flamengo em uma partida não-oficial no Estádio do Maracanã. O Flamengo enfrentou o Atlético Mineiro cuja renda foi revertida para as vítimas das enchentes de Minas Gerais. Com a presença de Pelé, o público chegou a 139.953 pagantes.
  • Pelé é um dos poucos brasileiros a possuir o título de Sir da Ordem do Império Britânico na categoria Knight Commander (KBE), o título completo em inglês é Knight Commander of the Order of the British Empire, que em tradução livre seria “Comandante Cavaleiro da Ordem do Império Britânico”.[13]
  • Em 2002, Pelé foi convidado para dar a bandeirada final no GP do Brasil de Fórmula 1. Mas Pelé acabou se distraindo e não deu a bandeirada para Michael Schumacher. No total, 8 pilotos passaram sem ter visto a bandeira quadriculada tremulando.
  • Em 2009 foi anunciado a parceria de Pelé com a Ubisoft para o desenvolvimento de um jogo de video game de futebol para o Wii no qual Pelé é o personagem principal.O jogo chamado “Academy of Champions” remete a idéia de Pelé de trazer o esporte para os mais jovens.

Fonte: http://pt.wikipedia.org

Imagens retirada do Google

JGalvão

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Sugestão Musical

Josh Groban – Awake

JGalvão

Cinco anos depois, Bill Gates avalia o impacto de suas doações

Fundador da Microsoft chamou todos os cientistas para avaliar os resultados e decidir quem seguirá recebendo os financiamentos. Gates se mostrou resignado: “Nós fomos ingênuos”
REDAÇÃO ÉPOCA, COM NEW YORK TIMES
Robyn Twomey/Corbis Outline 

PRESTAÇÃO DE CONTAS Gates reavaliou diversos projetos. Algumas bolsas serão cortadas

Há cinco anos, Bill Gates fez uma oferta extraordinária: ele convidou os cientistas do mundo todo a enviar ideias para resolver os maiores problemas da saúde global, incluindo a falta de vacinas para Aids e malária e o fato de que a maioria das vacinas precisa ser mantida em refrigeração e entregue em seringas.

Nenhuma ideia seria radical demais, e o que ele chamou de Grandes Desafios da Saúde Global iria buscar caminhos que impossíveis para o Instituto Nacional de Saúde e outros patrocinadores de estudos.

Cerca de 1.600 propostas chegaram, e as 43 principais eram tão promissoras que a Fundação Bill & Melinda Gates liberaram US$ 450 milhões em bolsas de cinco anos _ mais de duas vezes a estimativa inicial.

Recentemente, a fundação chamou todos os cientistas a Seattle para avaliar os resultados e decidir quem seguirá recebendo os financiamentos. Numa entrevista, Gates soou de certa forma moderado, dizendo diversas vezes: “Nós fomos ingênuos”.

Como exemplo, ele citou a busca por vacinas que não precisassem de refrigeração. “Na ocasião, eu pensei: ‘Nossa, teremos uma porção de vacinas termoestáveis em 2010’. Mas não estamos nem perto disso. Eu ficaria surpreso se tivermos ao menos uma em 2015”.
Gates afirmou ter subestimado o tempo consumido para levar um produto do laboratório aos experimentos clínicos, à fabricação de baixo custo e à aceitação em países de terceiro mundo.

Em 2007, em vez de conceder mais bolsas multimilionárias, ele começou a distribuir centenas de financiamentos de US$100 mil.“Hoje”, disse ele, meio de brincadeira, “você ganha cem mil até se fingir que pode curar a Aids”.

Esse valor não comprará uma grande descoberta, mas permite que os cientistas façam “bicos” ao agregar novos objetivos a suas bolsas já existentes _ o que faz a fundação evitar muita peneiração. “E”, acrescentou ele, “um cientista num país em desenvolvimento consegue fazer muitas coisas com US$100 mil”.

No geral, segundo ele, “por direcionar atenção a maneiras de salvar vidas através de avanços científicos, eu os daria uma nota A”. “Mas achei que alguns já estariam salvando vidas hoje, e parece que isso só acontecerá com pelo menos mais dez anos”, disse.

Diversos cientistas na conferência lembraram que Gates veio da indústria dos softwares, onde o poder de computação é constantemente dobrado. A biologia, em comparação, avança de forma glacial _ os micróbios são menos cooperativos que os elétrons.
A biologia também possui uma tendência maior a criar controvérsias anti-progresso. Por exemplo, realizar ensaios clínicos em participantes analfabetos de países pobres _ algo que já foi barato e rápido, mas eticamente duvidoso _ se tornou um processo demorado e caro, com a elevação dos padrões éticos.

Além disso, os países pobres, sem autoridades regulamentadoras ou elites políticas e científicas altamente educadas, podem ficar apreensivos quanto a serem usados por cientistas ocidentais _ e cautelosos em aceitar novas tecnologias.

Apesar das descobertas em muitas frentes, até dois terços das bolsas ou não foram renovadas, ou podem ser canceladas num futuro próximo, estimou Gates. E alguns casos, isso ocorreu porque os projetos não vinham obtendo sucesso, cientificamente ou por obstáculos políticos, ou outra pessoa havia encontrado um caminho melhor. Em outros, a fundação mudou o objetivo.

A seguir há uma amostra do progresso em algumas áreas.

Vacinas secas

Os inventores mais afetados foram aqueles trabalhando nas vacinas termoestáveis. Diversas técnicas funcionaram, mas pagar pela continuidade de todas não fazia muito sentido. Bilhões de dólares _ incluindo centenas de milhões da Fundação Gates _ foram injetados no aprimoramento da distribuição de doze vacinas refrigeradas já existentes, e ter uma ou duas estáveis ao calor não ajuda se as clínicas rurais ainda precisam de refrigeradores e eletricidade para o restante.

O Dr. Abraham L. Sonenshein, da Universidade Tufts, conseguiu combinar as proteínas da vacina de tétano num esporo bacteriano que sobrevive no frio e no calor, e pode ser borrifado dentro do nariz. Mas sua bolsa terminou antes que ele pudesse adicionar vacinas para difteria ou coqueluche, e antes de iniciar os experimentos em humanos.
Sonenshein disse ser grato à Fundação Gates pelo dinheiro inicial, e agora pode mudar para vacinas veterinárias. “Muitos criadores gostariam de poder vacinar seus próprios porcos e vacas, em vez de chamar o veterinário todas as vezes”, disse ele.

O Dr. Robert E. Sievers, de 75 anos, químico da Universidade do Colorado, também atingiu seu objetivo principal _ unir uma vacina contra sarampo a uma matriz de açúcar que pode ser armazenada no seco e então borrifada nos pulmões de uma criança.

Seu primeiro açúcar _ baseado naquele que protege os “fantásticos macacos do mar” vistos em revistas em quadrinhos (na verdade, artêmias secas) _ não funcionou, então ele encontrou outro. Em seu discurso de cinco anos atrás, num encontro de vencedores das bolsas, ele falou de um dispositivo que vibra o ar para enviar partículas ao interior dos pulmões. Isso também não funcionou, então ele projetou um tampão que lança o açúcar numa pequena sacola plástica, criando uma nuvem doce que é inalada pela criança.

Embora a bolsa Gates para Siever não esteja sendo renovada, ele está se juntando ao Instituto Serum, da Índia _ o maior fabricante de vacinas do mundo _ para testar o produto naquele país. A fundação ainda está financiando duas técnicas de termoestabilização.

A primeira une vacinas a nanopartículas que podem ser absorvidas pela pele dentro das narinas. O Dr. James R. Baker Jr., diretor do instituto de nanotecnologia da Universidade de Michigan, confirmou sua eficácia com as vacinas contra hepatite B e gripe. Ele ganhou uma nova bolsa para testar o vírus sincicial respiratório, que causa pneumonia.

As partículas estão no que Baker descreveu como uma “fórmula patenteada de maionese”, baseada em óleo de soja. A vacina acaba dentro das partículas de óleo, o que a protege contra mudanças de temperatura e micróbios. O sistema imunológico é “feito para comer gotas de óleo”, disse Baker, por focar em vírus, que são essencialmente bombas-relógio de instruções genéticas em invólucros de gorduras. A “maionese” é tão segura, segundo ele, que ratos comeram o equivalente a dois litros por dia e só tiveram um efeito colateral _ ganho de peso. A emulsão em si cura lesões virais como feridas de frio, disse ele; seus surfactantes penetram na pele de maneira inofensiva, mas quebram os vírus de herpes no interior.

A segunda vacina termoestável que a fundação ainda está financiando é uma bastante complexa, contra a malária. Ela funde os genes para proteínas parasitas numa “espinha dorsal genética” de vacinas contra varíola e um vírus de chimpanzés.

Em vez de ser engarrafada, a vacina pode ser desidratada até ficar parecida com um pedaço de filtro de papel. Nenhuma vacina contra malária chega perto de funcionar 100 por cento das vezes. O Dr. Adrian Hill, da Universidade de Osford, disse que a dele é a “segunda mais eficiente no mundo todo”. Ele propôs combiná-la com sua maior rival, produzida pela GlaxoSmithKline, já que sua vacina ataca o parasita da malária no fígado, enquanto a da Glaxo faz o ataque no sangue.

“Isso seria uma abordagem completa”, afirmou ele. “Podemos prever uma eficácia acima de 80 por cento”.

Laboratório numa caixa

Outra bolsa que não foi renovada foi de US$15 milhões, para diversas equipes colaborando num laboratório de diagnósticos portátil que funciona a bateria. O plano era fazê-lo dividir uma única gota de sangue em doze frações, para testar para gripe, malária, tifoide, dengue, sarampo, salmonela e outras infecções, todas em até 30 minutos. Muitoas avanços foram feitos, disse Paul Yager, engenheiro biológico da Universidade de Washington. A gota de sangue era direcionada a um cartão plástico com 23 camadas de microcanais, bombas e bexigas.

Mas os obstáculos continuaram aparecendo. Algumas doenças, como a gripe, deixavam muito poucos traços no sangue. Nem todas as empresas cujos testes patenteados seriam miniaturizados queriam cooperar. Um grande parceiro, a Hewlett-Packard, desistiu; outros foram adquiridos.

“Foi bastante desafiador ser o chefe de cinco equipes de pesquisa”, disse Yager. “Mas o maior problema em todo o projeto foi o ‘baixo custo’”.

O protótipo tinha o tamanho de uma torradeira, pesava cinco quilos e custava mil dólares.
E embora o projeto não tivesse concorrência quando começou, surgiram dois tipos de rivais. Grandes empresas desenvolveram caixas que custavam até US$ 70 mil, mas ofereciam mais recursos. E George M. Whitesides, um químico de Harvard, sentiu-se intrigado pelo mesmo desafio e começou a trabalhar numa variante revolucionária: esquecer o plástico, e deixar os fluidos passarem por papéis do tamanho de um selo de postagem infundidos em reagentes de alteração de cor. Há dois anos, a fundação lhe concedeu uma bolsa para desenvolver um teste de funções do fígado.

“Ele estava certo _ o papel era uma boa solução”, afirmou Yager. “Um experimento que fizemos há quinze anos, com três bombas de US$ 1.000 e um microscópio de US$ 30 mil, pode ser feito hoje com o equivalente a cinco centavos de papel”.
Hoje ele está envolvido em outros projetos, como escrever códigos e desenvolver produtos químicos que transformarão câmeras de celulares e impressoras à tinta em dispositivos diagnósticos.

A bolsa Gates, segundo ele, “me levou a lugares que eu nunca teria ido, como uma aldeia sul-africana. Tenho tantos alunos que preciso afastá-los com uma vareta, e acabo ficando com uma enorme vontade de cumprir com os objetivos do programa”.

Mosquitos ‘olfaticidas’

Como os inventores de “uma linha de células que se comporta como uma antena de mosquitos, recriando narizes de mosquito em formato de antena”, o Dr. Leslie B. Vosshall, da Universidade Rockefeller, e o Dr. Richard Axel, pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes na Universidade Columbia, receberam US$ 5 milhões para caçar moléculas que pudessem bloquear a habilidade dos mosquitos em detectar pessoas. Axel dividiu um prêmio Nobel da medicina em 2004, por clonar receptores olfativos de insetos.

“Quando você sopra odores humanos sobre as células, elas ficam excitadas como os mosquitos ficariam”, explicou Vosshall. Neste caso, elas se tornam verdes fluorescentes.
Eles testaram 91 mil compostos da biblioteca química da Universidade Rockefeller, e encontraram cinco que interferiam com as antenas. Sua bolsa Gates foi renovada por dois anos, mas hoje eles têm um contrato com a Bayer CropSciences para examinar seus 2 milhões de compostos _ o mesmo mecanismos de cheiro é usado por lagartas de milho, moscas de maçãs e outras pragas agrícolas.

O ideal, segundo Axel, é um repelente inofensivo a humanos que funcione numa fração da concentração do DEET.

Mas os repelentes não são a única forma de vencer os mosquitos, disse ele. Acionar o hormônio que diz a uma fêmea que ela já está cheia de sangue poderia funcionar, assim como um que a mande para longe dos humanos para botar seus ovos.

Células imunológicas ‘exaustas’

Outra bolsa está terminando por ter atraído demasiado apoio comercial. O Dr. Rafi Ahmed, imunologista da Universidade Emory, estuda por que as células T do sistema imunológico ficam “exaustas” durante uma longa batalha contra alguns vírus, como o HIV ou o da hepatite C. Eventualmente, segundo ele, as células começam a desenvolver “receptores inibitórios” em suas superfícies, como uma medida de autoproteção.

“Não se pode prolongar indefinidamente a reação totalmente ativa de uma célula T”, afirmou Ahmed. “Você estaria doente ou morto”.

Em ratos e macacos, ele descobriu moléculas ou anticorpos que bloqueiam esses receptores inibitórios, deixando as células novamente em prontidão.
“Isso não resulta numa cura, mas é bastante promissor”, disse ele.

Ele espera encontrar uma forma de reviver células exaustas em humanos com Aids, permitindo períodos intervalos sem os tóxicos medicamentos.

Como as células T combatem tantas doenças, incluindo câncer, a Genentech, a Bristol-Myers Squibb e o Instituto Nacional de Saúde estão todos lhe oferecendo dinheiro.

“Sem Gates, não teríamos conseguido reunir a equipe que reunimos”, disse Ahmed. “O dinheiro, e a fantástica visão de um grande desafio _ isso foi uma das melhores coisas”.

Uma banana melhor

O Dr. James Dale, da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, obteve sucesso em adicionar vitamina A em bananas, e agora está trabalhando sobre a adição de ferro. Uma nova bolsa Gates iria financiar os experimentos de campo em Uganda.
As bananas são um produto central a milhões de pessoas da África ao Equador e à Índia.

“Elas são também um dos melhores alimentos para desmamar bebês”, afirmou Dale. “Elas vêm num bom pacote estéril e não precisam ser cozidas”.

O governo de Uganda concordou com as modificações genéticas desde que cientistas ugandenses fizessem o trabalho em bananas ugandenses, explicou ele. Dale encontra os trechos certos de DNA em seu laboratório, e os envia aos laboratórios agrícolas nacionais de Uganda para a inserção _ um trabalho de equipe elogiado pela Fundação Gates.

Ele não teve problemas ao realizar experimentos de campo em áreas de plantio de banana na Austrália.

“Os agricultores de lá sabem que as bananas são estéreis e não podem trocar genes”, disse ele (as bananas são propagadas por mudas, não sementes).

Na África, Dale manteve um perfil discreto _ já que pode levar mais uma década de testes antes que uma banana esteja pronta para distribuição aos plantadores.
Parte da bolsa Gates é dedicada a “experimentos de alimentação”, para ver se as pessoas irão aceitar a nova fruta, de coloração alaranjada graças ao composto betacaroteno.

“Todos me perguntam qual o sabor da fruta”, disse Dale. “Não sei.”

Suas licenças o proibiam de testá-la em humanos. Mas ele nunca sucumbiu à tentação de dar uma mordida? “Não. E, mesmo que tivesse feito isso, não lhe diria”.

Uma mandioca melhor

A bolsa de US$ 7 milhões à BioCassava Plus, um consórcio liderado pela Universidade Estadual de Ohio, foi elevada a US$ 12 milhões. Embora também deva levar mais dez anos, o projeto está cumprindo metas intermediárias, afirmou Richard T. Sayre, seu principal pesquisador. Elas incluem reduzir o cianeto natural nos tubérculos, aumentar proteínas, ferro, zinco e vitaminas A e E, e pesquisar sobre a resistência a novas doenças da mandioca.

A mandioca é o produto de subsistência para 800 milhões de pessoas, mas grupos ambientalistas como o Greenpeace e o Friends of the Earth desaceleraram o projeto, opondo-se a experimentos de campo na Nigéria e em Uganda.

Martin Fregene, geneticista nigeriano e gerente de desenvolvimento de produtos da BioCassava Plus, os acusou de usar táticas de intimidação e de estimular jornalistas locais a publicar advertências de que a “mandioca assassina” estaria a caminho.

“Esses ambientalistas são paternalistas”, afirmou ele. “Eles tratam os africanos como se fôssemos crianças que não possuem ideias próprias”.

“Os leitores de jornais de classe média nas capitais estão sob essa influência”, disse ele.

“Mas eles representam apenas 20 por cento do país. Quando fazemos reuniões com os agricultores, eles dizem: ‘Se você nos garantir que o produto é seguro, nós plantaremos. E não precisa se preocupar com os políticos. Nós cuidaremos deles”.

A resistência às safras geneticamente modificadas, bastante alto na África cinco anos atrás, começou a desaparecer país por país, segundo Claude M. Fauquet, outro membro da equipe da mandioca. Por exemplo, quando plantadores em Mali e na Nigéria viram os grandes rendimentos que os agricultores de Burkina Faso conseguiram com algodão resistente a insetos, eles se mobilizaram pelo direito de também plantar aquele produto.

Mosquitos e bactérias

O projeto avançando na maior velocidade é o do Dr. Scott O’Neill, biólogo da Universidade de Queensland, na Austrália.

Cinco anos atrás, O’Neill recebeu US$7 milhões para tentar infectar mosquitos com um subgrupo da bactéria wolbachia _ que não matava mosquitos diretamente, mas causava sua morte antes que ficassem velhos.

A vantagem é que uma fêmea precisa ser de “meia-idade” _ com cerca de 14 dias _ para poder pegar o vírus da dengue de um humano, vê-lo amadurecer em suas entranhas e então passá-lo a outro humano. Vivendo apenas o suficiente para uma refeição de sangue e colocar seus ovos, ela nunca transmite a dengue, mas a bactéria não sofre nenhuma pressão darwiniana para desaparecer da população de mosquitos.

O subgrupo da wolbachia com que ele começou matava os mosquitos rápido demais, disse O’Neill, mas ele encontrou outro que tinha um inesperado efeito colateral: por razões desconhecidas, ele bloqueava tanto o vírus da dengue quanto o da chikungunya, outra doença tropical.

“Isso mudou tudo para nós”, explicou ele. “É como uma vacina para os mosquitos _ ela evita que eles peguem o vírus”.

Em Cairns, na Austrália, que já sofreu repetidas epidemias de dengue, seu laboratório construiu gaiolas de malha fina com 20 metros de comprimento, encheu-as com mosquitos Aedes aegypti e introduziu a wolbachia, que se espalhou a todos eles. No Vietnã, ele deixou os mosquitos infectados se alimentarem do sangue de pessoas com dengue. “Tivemos um bloqueio completo”, disse ele. “Nenhum sinal do vírus na saliva”.

O próximo experimento, sendo iniciado agora, soltará mosquitos infectados pela wolbachia em Cairns para ver se eles infectam outros e desaceleram o problema da dengue.
Questionado se enfrentou qualquer oposição popular lá, ele respondeu: “Nenhuma. As pessoas têm muito medo da dengue, e estão cansadas de ter inseticida borrifado em suas casas”.

A Fundação Gates ainda está financiando seu trabalho, e atualmente o governo australiano também contribui, segundo ele. “E se os experimentos em campo forem bem-sucedidos, a preocupação com os financiamentos não me tirará o sono”.

Células-tronco para músculos

O projeto mais radical anunciado em 2005 foi o do Dr. David Baltimore, que dividiu um Nobel de medicina em 1975 e hoje leciona na Caltech. Baltimore imaginava remover, de seres humanos, células-tronco destinadas a ser glóbulos brancos, e infectá-las com um vírus de ação lenta. Esse vírus traria genes que reprogramariam seu mecanismo interno, produzindo anticorpos de duas cabeças _ que atacariam o HIV em dois pontos distintos.

“Essa abordagem original, de alto risco e alta recompensa, se mostrou difícil demais”, disse um documento da fundação descrevendo o histórico da bolsa. Vírus de ação lenta trazem riscos de câncer, e colher medula óssea de africanos rurais “não era algo verdadeiramente prático”, afirmou o Dr. Cristopher B. Wilson, diretor de descobertas globais de saúde da fundação.

Enquanto isso, outros cientistas clonaram novos anticorpos anti-HIV encontrados no sangue de pessoas infectadas, e a bolsa foi “readaptada” com um objetivo diferente: injetar genes que codifiquem esses novos anticorpos em células musculares. A esperança é que isso possa se tornar uma forma mais simples de prevenção do que os atuais esforços de vacinas contra o HIV.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com

JGalvão

10 razões para se indignar

Uma pessoa indignada não é necessariamente raivosa. Indignar-se com a injustiça é estar alerta
RUTH DE AQUINO
Época RUTH DE AQUINO é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro 

 

Um pequeno livro, quase um panfleto, de 30 páginas, tornou-se a sensação literária na França neste Natal. O nome do autor, Stéphane Hessel, não explica o sucesso. Sua idade, 93 anos, muito menos. São dois os motivos para o livro sumir das prateleiras. O preço baixo, de € 3 (R$ 7). E o título provocativo, Indignez-vous (Fique indignado) . Por incitar os jovens ao não conformismo pacífico, Hessel virou uma celebridade pop. Lembra o candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, de 80 anos.

Hessel nasceu em Berlim, de pai judeu escritor e mãe pintora. Foi para Paris aos 7 anos de idade. Na Segunda Guerra Mundial, lutou na Resistência contra o nazismo. Ajudou a redigir a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Suas causas hoje são o Estado palestino, o meio ambiente, os direitos dos imigrantes, a liberdade de imprensa e a batalha contra o mercado financeiro. “Meu fim não está muito longe”, escreve. “Desejo, a cada um de vocês, que tenham um motivo para se indignar. Isso é precioso.”

Uma pessoa indignada não é necessariamente raivosa. Indignar-se com a injustiça é estar alerta. “Os governos, por definição, não têm consciência”, escreveu o romancista Albert Camus, em 1954. Felizes são os homens e as mulheres que não aceitam passivamente os malfeitos dos governos e dos indivíduos. A indiferença nos faz menos humanos. A resignação pode nos tornar cúmplices.

Uma pessoa indignada não é necessariamente raivosa. Indignar-se com a injustiça é estar alerta

Reduzir a lista abaixo depende da vontade política da presidente eleita e da atitude pessoal de cada um de nós. Eis 10 razões para se indignar no Brasil:

  • o número de analfabetos funcionais na oitava economia do mundo. Uma contradição provocada pela contínua falta de prioridade na educação fundamental e na qualidade da instrução;
  • os absurdos privilégios dos deputados e senadores, que aprovam aumentos para si mesmos e, além do salário, dispõem de uma verba extra irreal. Com R$ 26 mil mensais, deveriam abrir mão das mordomias;
  • a influência excessiva da Igreja sobre o Estado laico brasileiro. Em assuntos como células-tronco, controle da natalidade ou descriminalização do aborto, por que a religião se sobrepõe a razões de saúde e ciência? Que se respeitem a fé e os ditames do Vaticano como opções individuais, mas não como condutores de políticas públicas;
  • a impunidade de assassinos confessos, como o jornalista Pimenta Neves. Com recursos em cascata permitidos por lei, quem tem dinheiro, prestígio e diploma se safa da prisão, mesmo depois de confessar crime hediondo e ser condenado por júri popular;
  • a agressividade no trânsito, que torna o Brasil recordista em mortes em acidentes. O antropólogo Roberto Da Matta acaba de escrever um livro sobre isso: “Dirigir com cautela no Brasil significa ser barbeiro, bobo e idiota”. Acelerar para assustar pedestres, fechar o outro veículo, entrar na vaga alheia, bloquear os cruzamentos, xingar. Não é assim no exterior;
  • a falta de educação da elite brasileira. Boa parcela de ricos desenvolve falta de educação associada à arrogância e à crença na impunidade. Joga lixo nas praias e da janela de carros importados, dá festanças ignorando a lei do silêncio, viola a legislação ambiental e sempre quer levar vantagem;
  • os impostos escorchantes, que não resultam em benefício para a população carente. Cartéis punem o consumidor e tornam produtos e passagens aéreas no Brasil muito mais caros;
  • a falta de sistema de saúde pública que dê dignidade a quem precisa e aos mais velhos. Gente morrendo em fila de hospital ou por falta de leitos e médicos é inaceitável. Quantas CPMFs o governo exigirá?;
  • a falta de política de habitação decente para os mais pobres, mesmo com tantos prédios públicos vazios;
  • a inexistência de transporte de massas, num país que fez opção equivocada pelo carro. Metrôs e trens, ligados a uma rede de ônibus sem ranço de máfias, deveriam transportar todas as classes sociais.

Indigne-se, mas não seja chato. Contribua para a mudança. Melhor ser um indignado otimista que um resignado deprimido. Boas festas.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com

JGalvão

Sugetão Musical

Jamie Cullum – What A Difference A Day Made

 

JGalvão

Blatter: “Enorme repercussão para a África”

(FIFA.com) Quarta-feira 22 de dezembro de 2010

O presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, concedeu longa entrevista ao FIFA.com fazendo o balanço de 2010 e comentando os objetivos para 2011 e o futuro próximo. Na primeira parte da conversa, dedicada ao ano que termina, Blatter falou sobre o sucesso e o impacto da África do Sul 2010, o desempenho das seleções africanas, as edições de 2018 e 2022 da Copa do Mundo da FIFA e a função social do futebol.

FIFA.com: Presidente Blatter, estamos no fim do ano. Qual é o seu balanço?
Joseph S. Blatter: 2010 foi um ano de realização. Algo histórico aconteceu, algo que supera tudo. Primeiro, a Copa do Mundo na África — o que já é um sucesso extraordinário por si só. A repercussão no mundo todo foi fenomenal. Nunca é demais insistir nas consequências econômicas deste torneio. Em 2004, quando a competição foi atribuída à África do Sul, esta jovem república de dez anos de idade buscava o seu espaço na arena internacional contemporânea. Desde 2004, o mundo vem tomando consciência da importância desse país, e a própria África do Sul se deu conta. O país começou a encarar o desafio e os investidores vieram. Hoje, a África do Sul aumentou sensivelmente o seu PIB per capita, o rand se fortaleceu, apesar da crise, o país faz parte do G20 e do IBAS (Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul) e ganhou assento não-permanente no Conselho da ONU. Quanto a nós, daremos continuidade aos nossos programas sociais por meio do Football for Hope, que se concentra especialmente nas áreas da educação e da saúde, na África do Sul e no continente como um todo.

E do ponto de vista do futebol, como o senhor avalia este ano africano?
Para dizer a verdade, eu esperava encontrar mais equipes africanas na segunda fase da Copa do Mundo e, depois, sem dúvida, uma na semifinal. Por muitíssimo pouco, Gana deixou escapar. A decepção foi grande na África. Mas, este mês, o TP Mazembe, de Lubumbashi (República Democrática do Congo), chegou à final de outra competição, a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, algo até então inédito para times da África. Sempre digo que não há mais seleções pequenas, porque houve um nivelamento por cima, e que, entre os clubes, ao contrário, as distâncias se acentuam. Por isso, a surpresa criada pelos jogadores do Mazembe é ainda mais impressionante. Eles eliminaram o campeão da CONCACAF, os mexicanos do Pachuca, e depois o campeão da América do Sul, os brasileiros do Internacional de Porto Alegre. E foram vitórias indiscutíveis. Na final, eles sofreram a lei da Internazionale de Milão, mas o placar foi um pouco severo. Dito isso, creio que eles estavam felizes por terem chegado lá, mas talvez a “paixão” tenha sido um pouco menos intensa.

Em 2010 tivemos também a escolha das sedes para as edições de 2018 e 2022 da Copa do Mundo da FIFA. Qual é o sentimento do senhor, poucas semanas depois dessa escolha?
Tomamos decisões históricas em termos de geopolítica esportiva. Mandamos o Mundial para territórios novos. O de 2018 irá para o Leste Europeu, na gigantesca Rússia, e o de 2022 irá para o Oriente Médio, no Catar, no mundo árabe. A Copa descobrirá novas culturas em regiões novas, e eu só posso ficar satisfeito com isso.

Poderia nos explicar um pouco mais?
É preciso acompanhar o desenvolvimento do futebol e da FIFA para compreender essas decisões. Não é coisa de ontem. João Havelange, o meu antecessor, foi o primeiro a pedir que fizéssemos do futebol um esporte universal. Era preciso promover o futebol e buscar patrocinadores, porque na época não tínhamos um tostão. Mergulhei de cabeça nesse projeto em novembro de 1974. Logo percebi que o futebol representava mais que bater bola. Depois, quando me tornei presidente da FIFA, decidimos ir para a Ásia. Em seguida, eu disse que precisávamos ir para a África, e assim fizemos. É normal, portanto, que continuemos buscando novos territórios.

Mas o senhor compreende a decepção dos outros candidatos?
Sim. Mas talvez alguns tenham esquecido um pouco que, no futebol, é preciso aprender a ganhar e também a perder. Era uma competição: uns ganharam, uns perderam. É normal.

E as críticas da mídia?
Os jornalistas esportivos nem sempre enxergam a importância social ou cultural da escolha da sede de uma Copa do Mundo. Eles pensam em pênalti, escanteio, arbitragem ou dinheiro. Mas repito o que já disse: não era uma decisão para fazer dinheiro.

Já que o senhor mencionou, poderia nos explicar a função social que o futebol pode ter, na sua opinião?
O impacto sociocultural do esporte sobre o futuro da nossa sociedade é um tema que me agrada muito. Esta será a minha mensagem quando eu for aos congressos das confederações, a começar pelo da Ásia, em Doha, no dia 7 de janeiro. O futebol se expandiu no mundo inteiro, agora é preciso que o movimento Football For Hope (“Futebol pela Esperança”, em português)se amplie e se desenvolva. Esperança é bonito, mas agora precisamos de um impacto real. Isto significa que é preciso assegurar e acompanhar detalhadamente a realização desses projetos. Para isso, precisamos da ajuda dos ministérios da Educação e da Saúde.

A missão da FIFA pode se resumir em “desenvolver o esporte, sensibilizar o mundo, construir um futuro melhor”. O que ainda resta por fazer?
“Desenvolver o esporte” é algo que fizemos e continuaremos a fazer, não tem fim. “Sensibilizar o mundo” também fizemos, porque fomos a todos os lugares, ou quase. “Construir um futuro melhor”, quer dizer, preparar um amanhã melhor, é algo que nos ocupa por completo.

Que mensagem o senhor gostaria de transmitir para o ano novo?
O futebol é mais que um esporte, sim, mas continua sendo um esporte. É preciso aproveitar os valores positivos do futebol, mas acima de tudo é preciso aproveitar a vida! É o que eu diria aos torcedores do mundo todo neste fim de ano.

Fonte: http://pt.fifa.com

Imagem retirada do Google

JGalvão

Amadurecimento e esperança!

(FIFA.com) Terça-feira 28 de dezembro de 2010

“A única equipe que me inspira medo e respeito é a Alemanha” — esta frase foi pronunciada por ninguém menos do que o capitão da seleção espanhola Iker Casillas. “Gosto muito da seleção alemã”, continuou o arqueiro, atual campeão mundial e europeu. “O elenco é jovem e formado por ótimos jogadores. Acredito que, em alguns anos, os alemães vão ditar o padrão no futebol internacional. Provavelmente, quando a Espanha já não estiver mais na ponta.”

De fato, a Alemanha fez por merecer esse respeito em 2010. A qualidade atual da Nationalelf é resultado de uma evolução que começou há quatro anos, na Copa do Mundo da FIFA 2006, quando os alemães jogavam muito ofensivamente e acabaram ficando com a terceira colocação. Naquela época, todo o mundo já sabia que o selecionado germânico era sinônimo de muita velocidade e combatividade, mas desde a África do Sul 2010 a equipe passou a contar com novas qualidades no seu repertório.

Após ser vice-campeã europeia em 2008, a Alemanha ficou em terceiro na Copa do Mundo da FIFA 2010. Nas duas competições, o algoz dos alemães foi a Fúria, que acabou vencendo os dois torneios. Curiosamente, o capitão espanhol se derrama em elogios justamente à equipe que o seu país eliminou das duas competições.

Isso se deve ao impressionante desenvolvimento da atual terceira colocada no Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. A Alemanha brilhou na África do Sul com o elenco mais jovem do país nos últimos 76 anos (em média 24,9 anos), goleadas sobre dois gigantes do futebol, a Inglaterra (4 x 1) e a Argentina (4 x 0) e o melhor saldo de gols do torneio. Para completar o sucesso, Thomas Müller (Bayern de Munique) recebeu o Prêmio Melhor Jogador Jovem Hyundai e a Chuteira de Ouro adidas. “Foi uma honra enorme e é incrível que eu tenha recebido a Chuteira de Ouro”, declarou o jovem astro em entrevista recente ao FIFA.com. O craque também comentou sobre a questão da idade dos jogadores. “Não existe jovem ou velho, existe apenas bom ou ruim.”

Quem também assegurou o seu nome na história do futebol foi Miroslav Klose, dez anos mais velho do que Müller. Após balançar as redes quatro vezes na África do Sul 2010, o centroavante chegou a 14 gols e se tornou o segundo maior artilheiro da história dos Mundiais.

Em geral, 2010 foi um ano muito positivo para o futebol germânico. Em 17 jogos, a equipe comandada por Joachim Löw venceu 12, empatou dois e perdeu apenas três, marcando um total de 40 gols e sofrendo dez. Além disso, a Nationalelf voltou a figurar entre os três primeiros do Ranking Mundial da FIFA/Coca-Cola. Em janeiro de 2010, os alemães estavam apenas na sexta colocação. Atualmente, só estão atrás de Espanha e Holanda, as duas finalistas da Copa do Mundo da FIFA 2010.

“O ano foi muito positivo e bem-sucedido para nós”, comentou Löw recentemente. “Tivemos uma evolução constante no aspecto técnico nos últimos dois anos. Esta é a minha maior satisfação, porque sei que só é possível conquistar títulos quando há um desenvolvimento como esse. Sinto que a nossa equipe tem condições de ser campeã em 2012 e em 2014.”

Na realidade, tudo indica que essa geração ainda está longe do seu melhor futebol. Em primeiro lugar, porque alguns dos principais líderes da equipe, como o capitão Philipp Lahm (27), Bastian Schweinsteiger (26) e Lukas Podolski (25) ainda estão chegando ao auge das suas carreiras, enquanto Mesut Özil (22) e Sami Khedira (23) também ainda são muito jovens e acabaram de ser contratados por um dos maiores clubes do mundo, o Real Madrid.

A grande quantidade de jogadores fora de série não surgiu por acaso. Em 2005, o novo diretor esportivo Mathias Sammer intensificou os trabalhos da Federação Alemã de Futebol com as categorias de base. Desde então, passou a ser um requisito obrigatório que os clubes da Bundesliga tenham um centro de treinamento exclusivo para os jovens. Os frutos dessa nova regra foram colhidos com os títulos da Eurocopa Sub-19 em 2008 e da Sub-17 e Sub-21 em 2009. Além disso, vários jogadores que hoje integram a seleção principal surgiram inicialmente nas equipes de base, como o goleiro Manuel Neuer.

“Atualmente, jogadores de 19 anos estão lutando por uma vaga na seleção com outros de 23”, comentou Löw há algumas semanas. “Esta é a melhor situação para um treinador. Os jovens atletas me impressionaram muito recentemente. A capacidade deles de se desenvolverem é muito grande.” Certamente, o técnico alemão tem um jogador específico em mente ao falar isso. Há pouco tempo, ele descreveu a jovem revelação Mario Götze, do Borussia Dortmund, como “o maior talento dos últimos anos surgidos na Alemanha.” O treinador de 50 anos fala sobre Götze e seus colegas como parte de “uma nova geração, uma geração diferente. Jogadores como esses passam a impressão de levarem o trabalho e a carreira deles muito a sério. São ambiciosos, cautelosos e têm uma ideia exata do que querem fazer na vida.”

No ano que vem, o objetivo principal da Alemanha é a classificação para a Eurocopa. Até o momento, a equipe tem 100% de aproveitamento, com quatro vitórias em quatro jogos e, ao que tudo indica, não haverá muitas dificuldades no caminho até a Polônia e Ucrânia 2012. “No momento, estamos brilhando”, disse Löw. “Depois de uma Copa do Mundo intensa, emocionante e cansativa, estamos seguindo em frente.”

No dia 9 de fevereiro, Schweinsteiger e companhia voltarão a envergar a camisa da Alemanha. Nessa data, será realizado no Estádio de Dortmund um clássico contra a Itália. Para os alemães será uma revanche contra a Squadra Azzurra, já que, também em Dortmund, os italianos eliminaram a Nationalelf da Copa do Mundo da FIFA 2006 (2 x 0 após prorrogação).

Fonte: http://pt.fifa.com

Imagem retirada do Google

JGalvão