Sete anos sem Robert Enke

No dia 10 de novembro de 2009, há exatos sete anos, a Alemanha, recebia chocada a morte do goleiro Robert Enke, que à época defendia o Hannover. O arqueiro tinha 32 anos de idade, sofria de depressão e cometeu suicídio, deixando-se atropelar por um trem em um cruzamento ferroviário de Eilvese, Neustadt am Rübenberge, a 30km da cidade de Hannover. Após seu falecimento, os olhos da Medicina ficaram mais atentos a este transtorno psiquiátrico. Dois meses depois da tragédia, a sua mulher, Teresa, criou a Fundação Robert Enke, que desenvolve projetos educativos sobre depressão e doenças cardíacas infantis, com o intuito de conscientizar as pessoas acerca da doença e evitar que tragédias semelhantes ocorram.

Quando o suicídio de Enke ainda era um acontecimento recente, sua viúva, Teresa Enke, revelou os motivos que levaram o jogador à depressão. As passagens mal sucedidas por Barcelona – clube no qual ficou quase um ano sem jogar – e Fenerbahçe – o qual defendeu por empréstimo em apenas um jogo, uma traumática derrota de 3 a 0 para o Istambulspor; àquele dia, os torcedores do Fener o apontaram como o principal culpado pela derrota e o agrediram – e a morte da sua filha, Lara Enke, em 2006, decorrente de complicações no coração e na audição – a menina tinha apenas dois anos -, estes fatos nunca foram aceitos por Robert.

“Tentei dar-lhe esperança, dizia-lhe que nem tudo eram coisas ruins, que havia coisas belas na vida. Pensava que conseguiríamos, com amor… Mas às vezes o amor não basta”, lamentou Teresa, em revelação à imprensa alemã. Robert foi enterrado junto ao túmulo de Lara, em um cemitério da cidade de Hannover. Deixou Teresa, sua esposa, e Leila, uma filha adotiva.


A clássica foto de Robert Enke com Lara Enke nos braços tornou-se o logo da Fundação Robert Enke, da qual Teresa Enke faz parte (Foto: Getty Images)

 

“Há seis meses, Robert voltou ao meu consultório. Ele novamente estava sofrendo com fases depressivas que chegaram a afastá-lo dos treinos”, confirmara Valentin Makser, médico do jogador.

Nem as grandes atuações no Hannover, onde se tornou ídolo, e as recentes convocações à seleção alemã foram o suficiente para evitar a baixa autoestima de Robert Enke.

“Enke foi um número um no melhor sentido da palavra. É por isso que hoje temos os corações tão pesados”, disse Martin Kind, presidente do Hannover 96 àquele ano, à imprensa. O corpo de Enke foi velado no círculo central do gramado da AWD-Arena – atualmente denominada HDI-Arena -, e a torcida dos Roten compareceu à despedida em peso. Em homenagem ao ex-goleiro, o clube aposentou a camisa 1.

Em novembro de 2012, o jornalista e escritor alemão Ronald Reng lançou uma biografia do ex-atleta, intitulada “Robert Enke, uma vida curta demais”. Reng conheceu Enke em 2001, numa visita a Lisboa, quando o futebolista defendia o Benfica. A partir dali, firmaram uma amizade.

“Uma vez lhe dei um dos meus livros e ele gostou. Então, por brincadeira, disse-lhe que um dia poderíamos escrever um livro juntos”, explanou Ronald, em entrevista ao portal Mais futebol“Hoje sei por que razão ele levou essa ideia tão a sério. Ele esperava poder contar como tinha vencido uma doença chamada depressão, que nunca pudera assumir”, completou.

Na obra, é revelada uma proposta do Porto de José Mourinho ao goleiro, que preferiu assinar com o Barcelona pelo fato de o FCP ser um dos maiores rivais do SLB. O livro ainda conta que a ida ao FCB provocou um arrependimento por parte do jogador, que chegou a sentir saudades de Portugal, país onde demorou a se adaptar, mas do qual se agradou depois.


Enquanto esteve no Benfica, Enke criou grande identidade com a torcida encarnada (Foto: Divulgação)

 

Para Ronald Reng, a morte de Robert Enke deixou um legado: agora, os jogadores não hesitarão em assumir qualquer doença.

“Antes, era virtualmente impossível um jogador assumir doenças deste tipo. Na equipe do Mönchengladbach, que Robert representou até 1999 (ano em que os Potros caíram para a segunda divisão pela primeira vez em sua história), antes de vir para o Benfica, houve cinco casos de jogadores com depressões. E nenhum foi divulgado na época Os jogadores arranjavam falsas lesões, para não jogarem ou não treinarem. Era impossível assumir um problema no cérebro, que é a parte mais íntima do corpo”, contou.

Nascido em Jena, município da antiga Alemanha Oriental, Enke iniciou sua carreira no clube da cidade, o Carl Zeiss Jena. Quando ascendeu ao profissionalismo, em 1995, tinha apenas 18 anos. Um ano depois, acertou sua transferência para o Borussia Mönchengladbach. Após o rebaixamento dos Potros, mudou-se para Portugal, onde defendeu o Benfica.

Vestiu a camisa dos Encarnados até 2002, época em que rumou para o Barcelona. Durante o período em que esteve vinculado aos catalães, foi emprestado ao Tenerife, também da Espanha, e ao Fenerbahçe, da Turquia. Posteriormente às passagens discretas pelos territórios espanhol e turco, retornou à Alemanha em 2004, para assinar com o Hannover, último clube de sua vida. Foi lá onde o goleiro voltou a ter grandes atuações, até decidir partir.

Para os fãs do futebol ficam as eternas saudades e os mais sinceros agradecimentos a quem engrandeceu o esporte e lutou bravamente contra uma grave doença.

Robert Enke é lembrado na sala de troféus do Carl Zeiss Jena, primeiro clube de sua carreira (Foto: Divulgação/Carl Zeiss Jena)

Passados sete anos da partida de Robert, nós que fazemos o Batom e Futebol e que acreditamos no poder transformador do futebol, insistimos que se faz necessária mais atenção por parte dos dirigentes e  clubes de futebol, que olhem em volta e percebam que o futebol é muito mais do que um esporte e um negócio, o futebol é e deve ser tratado como uma ciência humana. O atleta precisa e deve ter um acompanhamento físico, psicológico, social, familiar e financeiro. Para que ele renda o que o seu clube espera, deve estar com sua vida totalmente em equilíbrio, inclusive sendo preparado para quando chegar a hora de parar de jogar.

Que a saudade deixada pelo grande atleta que foi Robert, sirva para lembrar que a depressão é uma doença e que em nenhuma profissão, sexo, idade, raça, credo ou condição social o ser humano está distante dela.

São Paulo – Brasil – 18:24

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Por Josy Galvão

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