O futebol alemão de pernas para o ar

O atacante Mark Uth, da seleção da Alemanha, na derrota por 3 a 0 para a Holanda — Foto: Piroschka Van de Wouw/Reuters

O atacante Mark Uth, da seleção da Alemanha, na derrota por 3 a 0 para a Holanda — Foto: Piroschka Van de Wouw/Reuters

Centros de treinamento modernos, alta tecnologia a serviço das comissões técnicas na preparação das equipes, uma liga nacional respeitada como modelo esportivo e de negócios, trabalho a longo prazo na seleção, que tem o mesmo técnico há 12 anos… O futebol na Alemanha é levado a sério e tratado quase como uma ciência. Mas ainda é futebol, e às vezes o imponderável entra em campo. Até na Alemanha.

O fracasso da seleção na Copa do Mundo da Rússia ligou o alerta: a geração campeã mundial em 2014 – quando todos aqueles atributos ali de cima foram exaltados como o futuro do futebol – parecia ter entrado em declínio. A Federação Alemã acreditou ter havido apenas um tropeço, e apostou na permanência do técnico Joachim Löw para seu quarto ciclo, visando à Copa de 2022, no Catar.

Os resultados pós-Mundial da Rússia, no entanto, parecem dizer o contrário. Após a eliminação na primeira fase da Copa, a Alemanha venceu apenas um dos seus três jogos no segundo semestre, um amistoso contra o Peru. Os outros dois foram pela Liga das Nações, a nova competição criada pela UEFA, onde a equipe de Joachim Löw repete o desempenho melancólico da Copa.

Na estreia, em setembro, empate em casa por 0 a 0 com a campeã mundial França. No sábado, a derrota por 3 a 0 para a Holanda, em Amsterdã, soou como aviso final. Com apenas um ponto, a Alemanha é a terceira – no caso, última – colocada no grupo 1. Pelo regulamento da Liga das Nações, a pior seleção de cada chave será “rebaixada” na temporada seguinte para o segundo nível da competição, a chamada Liga B.

O risco da humilhação já faz a imprensa alemã cogitar a saída do técnico Joachim Löw. Uma derrota na próxima terça, contra a França, em Paris, pode ser a gota d’água – restaria apenas um jogo a mais para a Alemanha, na última rodada, contra a Holanda, quando já poderia até chegar rebaixada à Liga B. Löw reconheceu, após a derrota deste sábado, que sua situação não é boa:

O técnico Joachim Löw, que está sob risco no comando da seleção da Alemanha — Foto: Piroschka Van de Wouw/Reuters

O técnico Joachim Löw, que está sob risco no comando da seleção da Alemanha — Foto: Piroschka Van de Wouw/Reuters

Entendo que existe um debate e tenho que lidar com isso. Nos próximos dois dias, vou me concentrar completamente em preparar a equipe para o jogo contra a França, e não no debate na opinião pública – afirmou Löw.

O treinador de 58 anos alcançou neste sábado o recorde de 168 jogos à frente da seleção alemã, superando Sepp Herberger como o técnico que mais dirigiu a equipe nacional. O desgaste, porém, pode ser medido pelos resultados abaixo do normal obtidos este ano: nas dez partidas que fez em 2018, a Alemanha venceu apenas três (um amistoso contra a Arábia Saudita, antes da Copa, o 2 a 1 sobre a Suécia no Mundial da Rússia e o amistoso de setembro contra o Peru). Perdeu cinco e empatou duas.

Para os críticos, falta renovação no elenco da seleção. Contra a Holanda, Löw escalou sete jogadores que estiveram em campo na derrota para a Coreia do Sul que eliminou a Alemanha como última colocada no grupo F da Copa. Cinco deles – o goleiro Neuer, os zagueiros Boateng e Hummels, o dublê de lateral e volante Kimmich e o meia-atacante Müller – são do Bayern de Munique.

Hexacampeão alemão, o time se acostumou a ser a base da seleção nos últimos anos. Mas agora é visto como um dos “motivos” para a crise. Afinal, o até então imbatível o esquadrão bávaro tem o seu pior começo de Bundesliga desde a temporada 2010/11. Após sete rodadas, ocupa uma surpreendente sexta colocação, com 13 pontos.

E assim como na seleção, o treinador Niko Kovac está no olho do furacão. A diferença é que o croata chegou este ano ao clube. Mas quando os dirigentes precisam sair em defesa do técnico, é sinal de que o futebol científico e organizado pode estar perdendo o jogo para o calor dos resultados.

– Vou defender Niko Kovac até a última gota de sangue – prometeu o presidente do Bayern, Uli Hoeness, dando suporte ao “prestigiado” treinador.

 

 

Matéria originalmente publicada por:      https://globoesporte.globo.com

São Paulo – Brasil – 23:03

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Josy Galvão

 

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