Archive for the ‘Curiosidades’ Category

O clube inglês que paga o mesmo a homens e mulheres

Lewes FC é o primeiro clube profissional ou semiprofissional a equiparar salários e condições de seus times de futebol masculino e feminino. Desde início da iniciativa, média de público nos jogos de mulheres cresceu.

Cartaz promovendo jogo do Lewes contra Manchester United traz retrato da líder feminista Emmeline Pankhurst

Cartaz promovendo jogo contra time de Manchester traz líder feminista Emmeline Pankhurst, nascida naquela cidade

Quem caminha pela pitoresca cidade de Lewes, no sudeste da Inglaterra, não demora a encontrar nas janelas de casas e vitrines de lojas cartazes anunciando a próxima partida do clube de futebol local. A personagem central da peça não é um jogador nem um treinador, mas Emmeline Pankhurst, ativista dos direitos das mulheres que fez campanha no início do século 20 para que elas também pudessem votar no Reino Unido.

O cartaz promove o jogo do Lewes FC deste sábado (11/05) contra o Manchester United. O anúncio faz parte de uma iniciativa celebrando mulheres notáveis das cidades dos adversários do Lewes na FA Women’s Championship, a segunda liga inglesa de futebol feminino. Pankhurst nasceu em Manchester.

Isso é mais do que apenas um gesto: Lewes, uma cidade de apenas 17 mil habitantes e a cerca de 10 quilômetros do balneário de Brighton, é sede do primeiro e único clube de futebol profissional ou semiprofissional que se comprometeu publicamente em pagar igualmente seus jogadores homens e mulheres. A iniciativa é parte da campanha Equality FC (Igualdade FC).

Antes do início da temporada 2017/18, quando a equipe feminina e masculina do Lewes jogavam, respectivamente na terceira e oitava divisões, o clube anunciou que ambas as equipes teriam o mesmo orçamento, sem discriminação. Atualmente, a equipe masculina do Lewes joga na sétima liga do futebol inglês. Os jogadores do clube são semiamadores e ganham entre 150 a 200 libras (cerca de 175 a 235 euros). Para alcançar a paridade, o clube, que não tem um proprietário e pertence aos próprios sócios, aumentou o orçamento da equipe feminina, em vez de cortar os salários dos jogadores homens.

Atacante Jess King, da equipe de futebol feminino do Jewes, comemora gol com braços abertos

Atacante Jess King: “Nos outros clubes, faltava o respeito que eu realmente sinto no Lewes”

A atacante Jess King, que já jogou na Noruega, Alemanha, Suíça, além de outros clubes ingleses, elogia a iniciativa do Lewes. “Acho bom que o clube realmente promova a igualdade”, diz. “Na maioria dos lugares onde eu já joguei, diziam ‘fazemos isso e aquilo pelas mulheres’, mas as palavras de que deveria haver igualdade de direitos para as mulheres não se tornavam realidade. Faltava o respeito que eu realmente sinto aqui.”

Desde o lançamento da campanha pela igualdade, os números de público aumentaram cinco vezes nos jogos femininos no estádio de 134 anos de idade, situado em meio a uma paisagem dominada pelas colinas de South Downs. Agora, os jogos femininos estão em um nível de público semelhante ao da equipe masculina, cujos jogos, em média, são vistos por mais de 600 espectadores.

Membros com poder

Por 30 libras (35 euros) é possível se tornar um membro do Lewes FC, com direito de voto para ajudar a definir os rumos do clube. A sensação de que tudo é possível na agremiação fica explícita no pátio do clube, especialmente na parte das mulheres – e pelo menos desde que foi possível contratar Fran Alonso como treinador da equipe feminina.

O espanhol trabalhou durante anos na Premier League, a primeira liga inglesa. Ele passou pelo Everton, sob o comando de Mauricio Pochettino, atual treinador do semifinalista da Liga dos Campeões, o Tottenham Hotspur, e no Southampton, comandado por Ronald Koeman, atual técnico da seleção holandesa. Até Alonso perguntar a Koeman se ele não poderia treinar o time feminino de Southampton. É uma verdadeira façanha que um clube tão pequeno como o Lewes tenha conseguido contratar um treinador tão experiente, qualificado e motivado.

“Para mim, não importou nem um pouco o fato de que eu poderia ganhar 20 vezes mais na quarta ou quinta liga masculina do que na segunda liga feminina”, frisa Alonso, acrescentado que o mais importante para ele são o projeto e a mensagem que ele envia. “Quanto melhor estamos na praça, mais as pessoas perguntam: ‘como vocês fizeram isso? como conseguem isso, pagando igualmente mulheres e homens? Mulheres não atraem os mesmo faturamento’. Nós cruzaremos as fronteiras, vamos questionar o status quo, e então as pessoas vão começar a acreditar nisso. “

Treinador do time feminino do Jewes Fran Alonso

Técnico do time feminino do Jewes, Fran Alonso, diz que filosofia do clube pesou mais que salário ao aceitar contrato

Potencial econômico

Karen Dobres comanda a campanha pela Igualdade e destaca o papel do clube como precursor da política igualitária dentro e fora do campo. “Outros clubes não poderão pagar as mulheres da mesma forma que os homens. Por exemplo, o Manchester United, que paga salários altos demais ao time masculino. Mas isso é algo que pelo menos deveriam considerar”, avalia.

Ela acredita que se os dirigentes dos clubes, em cada uma das suas decisões, tivessem em mente tal intenção, seria possível se aproximar da meta e se fazer algo pelo futebol feminino. “Porque há muito potencial. Essa é uma decisão não só moral como também econômica. Enquanto o futebol masculino é um mercado saturado, o futebol feminino é um produto novo, que ainda não se exauriu.”

Tanto Jess King quanto Karen Dobres relatam experiências de sexismo velado. Kind conta que certa vez, no exterior, ela não conseguiu nem sequer comprar chuteiras – algo que seus colegas homens, a propósito, receberiam de graça. “Eu pensei: ‘você quer me impedir de comprar chuteiras?’ Então simplesmente eu joguei as chuteiras no chão e saí da loja, extremamente irritada”. Ela diz que acredita que os seus colegas homens são mais abertos e que os preconceitos estão mais na liderança dos clubes. Dobres crê que há mais adversários da campanha pela igualdade do Lewes FC entre os escritores anônimos das redes sociais do que entre torcedores, jogadores ou dirigentes dos clubes.

Quase dois anos após o lançamento da iniciativa, parece que o Lewes FC continua a ser o único clube que paga salários iguais a homens e mulheres. “Não queríamos criticar ninguém que não fizesse o mesmo”, destaca Dobres. “Mas gostaríamos de influenciar e liderar pelo exemplo. Muitos outros clubes provavelmente acham que somos um pouco loucos. Porque, afinal, quem ousa pagar as mulheres da mesma forma que os homens? Mas eles não vão pensar assim por muito tempo, porque o futebol feminino está crescendo maciçamente.”

Matéria originalmente publicada por:  https://www.dw.com/pt-br

São Paulo – Brasil – 01:00

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Josy Galvão

Estádios cheios na Alemanha: realidade ou mito?

Os números da Bundesliga despertam inveja em qualquer país do mundo: nenhum outro campeonato tem média tão alta de público pagante. Mas imagens de cadeiras vazias são cada vez mais frequentes. Uma tendência preocupante.

O estádio do Dortmund recebe em média 80 mil pagantes, como no último dia 13 de abril, diante do Mainz

O estádio do Dortmund recebe em média 80 mil pagantes, como no último dia 13 de abril, diante do Mainz

Entra ano, sai ano, e a Bundesliga orgulhosamente apresenta estatísticas comprovando que o Campeonato Alemão é indiscutivelmente um enorme sucesso de público. Christian Seifert, diretor executivo da DFL (Liga Alemã de Futebol), esbanja confiança: “Temos jogos muito bons nas duas divisões com muitos talentos individuais. O torcedor sabe disso, e comparece em massa aos estádios”.

Na temporada 17/18, por exemplo, compareceram 13,5 milhões de torcedores para ver as 306 partidas, uma média de 44,5 mil espectadores por jogo. O campeão de público foi o Borussia Dortmund, com quase 80 mil pessoas lotando o Signal Iduna Park cada vez que o time auri-negro entra em campo. Logo depois vem Bayern Munique (75 mil) e Schalke 04 (61 mil).

São números com os quais outras grandes ligas pelo mundo continuam apenas sonhando. A Premier League é a que mais se aproxima da Bundesliga no quesito público. Na temporada passada, compareceram por jogo em média 38 mil torcedores aos estádios ingleses.

Os três outros importantes campeonatos europeus atraem um público bem menor por jogo: Espanha (27 mil), Itália (25 mil) e França (22,5 mil).

Há diversas razões para este alto comparecimento aos estádios alemães. De modo geral, são arenas modernas com muito conforto para torcedores de qualquer faixa etária e com espaço para o torcedor “raiz” que prefere ficar em pé para assistir as partidas. Na arena do Borussia Dortmund, por exemplo, dos 81.365 lugares, 28.337 são da mundialmente famosa Muralha Amarela, onde todo mundo fica em pé antes, durante e após o jogo.

Outro fator é a venda antecipada de carnês para toda a temporada. Assim que o calendário estiver definido, o carnê já pode ser adquirido para os 17 jogos que o respectivo clube disputar em casa. Além da vantagem de garantir o seu lugar numerado, o torcedor ainda conta com um desconto sobre o preço normal do ingresso.

Em média, 50% dos ingressos são vendidos através desta modalidade de carnês. No caso de Dortmund e Schalke, o porcentual da pré-venda chega a aproximadamente 70%.

Mesmo com esta procura intensa por ingressos, porém, há pelo menos três temporadas se nota que, em muitos casos, os estádios não estão totalmente lotados. A diretoria da Liga afirma que a média de ocupação nas partidas da primeira divisão foi de 91,3% na temporada passada.  

Arquibancadas vazias no estádio do Leipzig: cena vem sem tornando mais comum na Bundesliga

Arquibancadas vazias no estádio do Leipzig: cena vem sem tornando mais comum na Bundesliga

Só que os números divulgados pela Liga e pelos clubes contemplam a quantidade total de ingressos vendidos, e não o número de pessoas presentes no estádio. Fica caracterizada assim uma distorção estatística.    

Quem assiste ao Campeonato Alemão aqui no Brasil pela TV deve ter notado que ultimamente podem ser vistas imagens com as arquibancadas apenas parcialmente lotadas ou com espaços totalmente vazios. Acontece até em jogos com a participação de clubes de grande apelo popular, como Bayern Munique, Borussia Dortmund e Schalke 04.

Um dos motivos apontados é que parte dos torcedores proprietários de carnês “cabulam” alguns jogos de sua equipe. Isso costuma acontecer quando o tempo não ajuda ou quando o adversário é considerado muito fraco. É o assim chamado “torcedor no-show”. Tem o carnê previamente pago, mas não comparece por puro comodismo. Prefere ficar em casa acompanhar tudo pela TV ou pelos serviços de streaming na internet, confortavelmente instalado no sofá e tomando sua cervejinha. 

O professor Dominik Schreyer, da Universidade de Düsseldorf, calcula que o índice de “torcedor no-show” é de aproximadamente 10,5%, o que reduziria drasticamente a ocupação dos estádios alemães de 91% para “apenas” 82%.

Ainda é uma percentagem alta em comparação com outras ligas, mas a tendência decrescente preocupa. Há dois anos, de um total de 306 jogos, 146 contaram com a lotação esgotada. Na temporada seguinte, foram apenas 123, e no primeiro turno da atual, das 153 partidas, apenas 52 tiveram casa totalmente cheia.

Os sinais do decréscimo de público presente nos estádios são um primeiro alerta para a Liga e os clubes. Há um descontentamento da torcida porque os canais de comunicação entre fã-clubes e dirigentes foram unilateralmente silenciados pela federação. Também com os clubes os torcedores não estão nada satisfeitos. Criticam a extrema mercantilização do futebol tratado como se fosse apenas um produto a ser vendido, percebem que são vistos como meros consumidores e não entendem as somas milionárias pagas aos jogadores.

Para o torcedor, “o negócio chamado futebol se transformou num exclusivo mundo paralelo, distante a anos-luz do cotidiano do cidadão comum”, diz o jornalista Reinhard Rehberg, que há muitos anos acompanha o futebol alemão e, mais especificamente, o Mainz 05. O afastamento contínuo dos estádios seria apenas a consequência natural.

Talvez seja por isso que as torcidas de clubes como o St. Pauli (Hamburgo) e Union Berlin não fazem muita questão de que seus times subam para a primeira divisão. Percebem que na Segundona ainda se respira o futebol do tipo “gente como a gente”.

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

Matéria originalmente publicada por:  https://www.dw.com/pt-br

São Paulo – Brasil – 08:42

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Josy Galvão

Presidente da Federação Alemã de Futebol demite-se após escândalo de corrupção

Após meses de controvérsias e problemas de comunicação, o presidente da Federação Alemã de Futebol, Reinhard Grindel, abandona a DFB. Espera-se agora uma transformação total do futebol alemão.

DW-Interview mit Reinhard Grindel, DFB-Präsident (DW/C. Springer)

Após meses de controvérsias e problemas de comunicação, o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB) atirou a toalha ao chão. A notícia não é surpreendente, mas deixa a DFB à procura de um novo começo há muito esperado.

A DFB anunciou na última terça-feira (02.04), que o presidente Reinhard Grindel havia renunciado com efeito imediato. Os dois primeiros vice-presidentes da DFB, Rainer Koch e Reinhard Rauball, devem liderar a federação interinamente até que um novo presidente seja eleito em congresso, no mês de setembro.

“Através de seu alto nível de compromisso pessoal, Reinhard Grindel alcançou muito para a DFB, não apenas em relação à candidatura para o EURO 2024”, disse Koch em uma declaração postada no site da DFB. “Estamos muito gratos a ele e respeitamos muito a sua decisão. Ainda de acordo com o comunicado, Grindel continuará a atuar como membro do Conselho da FIFA e do Comité Executivo da UEFA.

Sem surpresa

No entanto, a decisão de demissão do cargo de presidente da DFB não foi uma surpresa. Quase um ano após a humilhante e histórica campanha da Alemanha no Mundial de futebol na Rússia, a DFB começou a entrar em colapso interno. A decisão de Reinhard Grindel em deixar o cargo é sinal de que poderão haver mudanças na estrutura da federação e essa mudança deve seguir-se pela contratação de um novo técnico para a seleção nacional, em detrimento de Joachim Löw, por uma nova era do futebol alemão.

A notícia chegou apenas um dia depois da abertura do primeiro “hall of fame” (corredor da fama), no museu do futebol em Dortmund, um evento no qual Grindel participou.

“Prendas”

A comunicação social alemã comecou a “fazer a cama” ao agora ex-presidente da DFB. Uma reportagem do jornal “Bild” noticiou que Grindel havia supostamente recebido um relógio de luxo – há um ano e meio – de um oficial do futebol ucraniano.

No seu comunicado de demissão, Grindel pediu desculpas pelo “comportamento menos que exemplar”, ao aceitar um relógio no valor de seis mil euros de Grigoriy Surkis. Não obstante, Grindel afirmou que Surkis nunca lhe pediu “qualquer apoio”, acrescentando ainda que “não houve e não há conflito de interesses”.

Para além desta oferenda, uma reportagem da revista de notícias alemã “Spiegel”, afirmou que Grindel tinha recebido 78 mil euros em outras receitas entre julho de 2016 e julho de 2017, durante o mandato enquanto presidente da subsidiária de gestão dos media da DFB (uma empresa-irmã da DFB). Prontamente, o departamento de comunicação da DFB disse que Grindel havia declarado corretamente os pagamentos adicionais.

Bola de neve

À luz de uma reportagem da revista “Spiegel” de 2015, que afirmou que a organização do Mundial de Futebol de 2006, organizado pela Alemanha, havia sido “comprada”, Grindel, que só foi eleito presidente da DFB alguns meses depois, prometeu que, durante o mandato, a organização tornar-se-ia mais transparente.

As últimas controvérsias sugerem o contrário, já que a DFB continua sem saber lidar com dificuldades, como no caso de Mesut Özil, que abandonou a seleção alemã, dizendo-se vítima de racismo, depois de publicar uma fotografia com o Presidente da Túrquia, Recep Tayyip Erdogan. A publicação foi interpretada como uma mensagem de apoio a um líder político, que na altura, tinha uma relação tensa com chanceler alemã Angela Merkel.

Depois de Özil, foi a vez de Thomas Müller, Mats Hummels e Jerome Boateng abandonarem a seleção, mas por decisão do atual selecionador Joachim Löw. Grindel começou por saudar a decisão e o “timing”. No entanto, poucos dias depois, disse que a decisão deveria ter sido anunciada numa conferência de imprensa para agradecer aos jogadores e explicar o porquê do afastamento dos mesmos.

A somar aos casos destes problemas comunicacionais, a incapacidade de Grindel em ouvir o povo alemão enfraqueceu ainda mais posição do ex-presidente da DFB. Esta temporada, na Bundesliga, adeptos tem erguido cartazes com mensagens de desagrado perante a federação.

Ares de mudança

Durante o evento de inauguração do corredor da fama no museu de futebol, em Dortmund, foram várias as personalidades do futebol alemão que se pronunciaram.

O ex-capitão e lenda do futebol alemão, Lothar Matthäus, disse sem rodeios: “Quando estamos numa situação complicada e estas notícias vêm à tona, então deveríamos, pelo menos, ter argumentos para acabar com as suspeitas o mais depressa possível”.

Já o ex-presidente da DFL e atual CEO de St. Pauli, Andreas Rettig, foi ainda mais longe e foi direto: “A imagem da DFB precisa de ser melhorada há muito tempo”.

Sucessor?

Com o novo presidente a ser eleito no congresso da DFB no final de setembro, começa agora o ciclo de rumores quanto ao nome sucessor de Grindel. 

Russland Fußball WM 2018 Philipp Lahm
Philipp Lahm foi o porta-voz da candidtura alemã ao Euro 2024

Esta semana, surgiu um nome forte: Philipp Lahm, ex-jogador e capitão da seleção alemã, foi o porta-voz da candidatura alemã, que ganhou a organização do Euro 2024. No entanto, Lahm consfessou que não tem “nenhuma ambição”, no que toca a esse cargo.

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Christoph Metzelder

 

Outro nome que entrou no círculo de rumores à presidência da DFB é o de Christoph Metzelder. Dirigente desportivo e conhecido pelos bons contatos, quer no futebol profissional, quer no futebol amador, ainda não teceu qualquer comentário sobre o assunto, mas fala-se também da possibilidade de estar na corrida pelo cargo de diretor desportivo do Schalke 04.

Transformação da DFB

Considerando o fato de Grindel ser o terceiro presidente consecutivo da DFB a abandonar o cargo antes do fim de mandato, torna-se inevitável a necessidade da criação de uma estrutura simplificada, com pessoas que tenham o “know-how” para lidar com a crescente complexidade do mundo do futebol, como por exemplo, baixar o preço dos bilhetes dos jogos da Bundesliga, mudança dos horários dos jogos, tendo em conta o público e não as receitas televisivas, apoio financeiro ao futebol amador, e a organização do Europeu 2024, entre outros.

O próximo presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB) terá uma tarefa hercúlea pela frente. Acima de tudo, o candidato selecionado terá de encarnar traços característicos que Reinhard Grindel não encarnou: credibilidade, um registo de conformidade e força na integração, comunicação e gestão de crises. E é claro, ser um homem do futebol.

 

Matéria originalmente publicada por:  https://www.dw.com/pt-br

São Paulo – Brasil – 23:17

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Josy Galvão

A Rota dos Contos dos irmãos Grimm

Uma das mais antigas rotas turísticas alemãs, do centro ao norte do país, tem 600 km e segue as pegadas dos irmãos Grimm. Ela vai de Hanau, onde nasceram Jakob e Wilhelm, a Bremen, do conto dos animais músicos.

Estátuas de bronze dos irmãos Grimm em Hanau

Hanau, cidade natal

A Rota dos Contos de Grimm começa em Hanau, a cerca de 18 km de Frankfurt. Ali nasceram os irmãos Jakob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859) Grimm. A cidadezinha medieval preserva a memória dos ilustres irmãos com um festival anual de teatro, em que são interpretadas peças baseadas nos contos dos Grimm. A estátua de bronze é de 1896.

A casa onde moraram os irmãos Grimm em Steinau

Steinau, a infância dos Grimm

Os escritores e filólogos Jakob e Wilhelm Grimm passaram a infância em Steinau. A Amtshaus, prédio renascentista dos condes de Hanau, é hoje a Casa dos Irmãos Grimm, um museu sobre a vida e obra deles. Há também um teatro de marionetes em que são encenados contos de Grimm. Na foto, a casa onde eles moraram.

As cabeças no muro representam O lobo e os sete cabritinhos da fábula dos Grimm

Marburg, estudo do Direito

Foi nesta cidade que Jakob e Wilhelm Grimm moraram entre 1802 e 1805, se formaram em Direito e iniciaram o resgate de contos populares alemães. Fundada em 1527, a Universidade Philipp foi a primeira universidade protestante da Europa. Na cidade, há uma trilha com 15 estações dedicadas aos contos e fábulas dos Grimm. Na foto, as cabeças no muro representam “O lobo e os sete cabritinhos”.

Museu Grimmwelt em Kassel

Kassel, fonte de inspiração

Os irmãos Grimm residiram em Kassel por 30 anos. Em um dos bairros da cidade morava Dorothea Viehmann, uma das principais fontes dos contos e fábulas escritos pelos Grimm. A cidade tem o museu Grimmwelt, dividido em 25 áreas temáticas e com apresentações interativas sobre contos e fábulas, a vida de Jakob e Wilhelm, e o dicionário alemão, compilado pela primeira vez pelos Grimm.

O castelo da Bela Adormecida em Sababurg

Castelo da Bela Adormecida em Sababurg

Já no século 19, Sababurg era considerado pela tradição popular como o castelo em que se passou o conto da Bela Adormecida. A fortaleza foi construída em 1334, no coração do bosque Reinhardswald, entre Kassel e Göttingen.

Beijo na Gänseliesel traz sorte aos recém-formados em Göttingen

Os Grimm foram professores em Göttingen

Jakob e Wilhelm foram professores na Universidade de Göttingen até serem expulsos por terem ideias muito liberais. O símbolo de Göttingen é a “Gänseliesel”, a “pastorinha dos gansos”, de um conto dos Grimm. Reza a tradição que traz sorte aos recém-formados se eles beijam a bochecha da estátua.

Märchenhaus (casa dos contos de fadas) em Alsfeld

Alsfeld e a casa dos contos de fadas

A cidadezinha de Alsfeld, com suas dezenas de casas em enxaimel, já parece cenário de um conto. Na casa de 1628 (!) chamada “Märchenhaus” (casa dos contos de fadas) são lidos contos infantis e o acervo é dedicado aos irmãos Grimm. No andar superior há uma exposição de bonecas de mais de dois séculos.

Vila da Branca de Neve em Bad Wildungen

A vila da Branca de Neve

Segundo o historiador Eckard Sander, o conto da Branca de Neve remonta ao lugar chamado Bergfreiheit em Bad Wildungen. A personagem teria sido inspirada na excepcionalmente bela princesa Margaretha von Waldeck. Os sete anões seriam uma alusão ao trabalho infantil nas minas da região. Ali há uma “casa da Branca de Neve” e num festival anual são apresentados contos em palcos ao ar livre.

Casa onde nasceu Dorothea Viehmann em Baunatal

Baunatal, onde os contos foram narrados

Grande parte dos contos e mitos populares compilados pelos Grimm foram contados a eles por Katharina Dorothea Viehmann, que nasceu nessa casa em 08/11/1755. O pai dela tinha uma taverna e desde criança ela gostava de ouvir as histórias dos viajantes. Um dos mais de 40 contos que ela contou a Jakob e Wilhelm é “O pobre aprendiz de moleiro e a gatinha”, publicado no 2º volume de contos, em 1815.

Hamelin, a cidade do flautista que encanta ratos

Hamelin, “a cidade dos ratos”

“O Flautista de Hamelin” é um dos contos mais conhecidos da Alemanha. A história se passa na cidade medieval de Hamelin, na Baixa Saxônia. De maio a setembro, aos domingos, acontece na cidade o tradicional Festival Flautista de Hamelin.

Chapeuzinho Vermelho foi inspirada no traje tipico de Schwalmstadt

Chapeuzinho Vermelho de Schwalmstadt

Esqueçam a imagem do manto de Chapeuzinho Vermelho que nos acompanha desde a infância. Na realidade, a personagem foi inspirada no traje típico de Schwalmstadt, em que a menina usa um ornamento vermelho cabeça, parecido com um copo.

O castelo da Rapunzel em Trendelburg

O castelo da Rapunzel em Trendelburg

A fortaleza de Trendelburg, com mais de 40 metros de altura, paredes de até sete metros de espessura e suas imponentes torres inspiraram o conto da Rapunzel. Quem estiver disposto a subir os 130 degraus até o telhado da fortaleza, tem a oportunidade de apreciar a bela paisagem.

As ruínas do burgo de Polle, que inspirou o conto da Cinderela

Burgo de Polle e “Cinderela”

No século 13, os condes de Everstein construíram um burgo sobre um rochedo, cuja primeira citação oficial data de 1285. Desde um incêndio em 1641, o burgo está em ruínas. Além de ser palco de um festival anual, o burgo tem um quarto da Cinderela e um museu que podem ser visitados.

Casa de Joãozinho e Mariazinha no Magic Park em Verden

“Parque Mágico” em Verden

Num enorme “bosque encantado” no parque Magic Park, em Verden, figuras móveis em tamanho natural e cenários dos contos dos irmãos Grimm encantam a criançada. O passeio pelo bosque dura meia hora.

A lebre e o ouriço em Buxtehude

Buxtehude, da lebre e do ouriço

O conto da lebre e do ouriço foi escrito por Wilhelm Schröder e publicado pela primeira vez em 1840 num jornal de Hannover com o título “A corrida entre a lebre e o ouriço num campo perto de Boxtehude”. Em 1843, os irmãos Grimm publicaram a fábula em seu quinto volume de contos. Os contos dos irmãos Grimm já foram traduzidos para mais de 160 idiomas.

A estátua dos animais músicos em Bremen

Bremen, dos animais músicos

A fábula do burro, cachorro, gato e galo que fogem de casa, onde seriam mortos, para viverem livres em Bremen, pode ser interpretada como a busca da liberdade pelos serviçais dos senhores feudais. Bremen, já na época, era uma cidade hanseática livre. Em 1977, a fábula inspirou Chico Buarque para o musical “Os Saltimbancos”.

 

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São Paulo – Brasil –  06:30

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Josy Galvão

Louis Vuitton ou Hermès: qual a marca de luxo mais autêntica?

Reprodução/Forbes

E não há negócio onde as apostas na autenticidade são mais altas do que no mercado de luxo

Atualmente, vivemos na era da autenticidade. Marcas, comunicações e relações autênticas com os consumidores são obrigatórias. Cerca de 86% deles disseram que essa característica é muito importante na hora de decidir quais marcas apoiar, revelou um estudo conduzido pela Stackla.

Essas descobertas foram validadas por outro estudo global da Cohn & Wolfe. Na pesquisa, feita com 15 mil entrevistados, 91% dos consumidores globais disseram que recompensariam uma marca por sua autenticidade por meio de “compra, investimento, endosso ou ação semelhante”. Desses 91%, mais de 60% “compram ou expressam maior interesse de compra” por uma marca que percebem ser genuína.

E não há negócio onde as apostas na autenticidade são mais altas do que no mercado de luxo, onde a confiança dos consumidores em patrimônio, perícia e qualidade é recompensada pela disposição de pagar a mais pelo privilégio de propriedade.

Na economia atual, onde dominam enormes conglomerados multinacionais como a LVMH, com fixação nos lucros trimestrais e crescimento, marcas de luxo são ameaçadas por serem onipresentes.

Quando essas marcas são vistas e estão disponíveis em todos os lugares, seus valores – sua autenticidade como verdadeiro luxo – se diluem. O colaborador da FORBES Walter Loeb apresenta uma excelente visão geral do delicado equilíbrio que a LVMH enfrenta ao manter a exclusividade e aumentar a acessibilidade.

“A autenticidade é considerada o grande desafio para o segmento de luxo do nosso tempo”, escrevem Patricia Anna Hitzler e Günter Müller-Stewens, da Universidade de St. Gallen, Suíça, em um estudo intitulado “O Papel Estratégico da Autenticidade nos Negócios de Luxo”. Nele, os autores definem os principais impulsionadores dessa característica como perícia, escassez de oferta, estética única e ligação à origem.

Além disso, Patricia e Müller-Stewens aconselham que os lucros devem ficar em segundo plano em relação a valores e ideais mais duradouros, para que um status autêntico de marca de luxo seja conquistado:

“O significado e a operação de longo prazo são princípios orientadores, aos quais uma organização que deseja ser percebida como autêntica deve prestar atenção especial. Isso pode incluir motivos como a preservação de empregos ou a promoção do patrimônio histórico e cultural.” Buscar o lucro, destacam os especialistas, é vital para a sobrevivência de uma organização. No entanto, a realização direcionada de lucros não é unicamente decisiva para a satisfação plena e duradoura. Um especialista sinaliza: “Deve haver algo diferente do mundo da imagem. Essa ‘outra coisa’ é o objetivo maior, uma missão que deve ser parte da identidade de uma organização de luxo que, junto com seus valores, dá à empresa uma estrutura na qual deveria operar”.

Com essa perspectiva em mente, estudei duas das mais conceituadas marcas de luxo do mundo – Louis Vuitton e Hermès – para ver como elas poderiam ser comparadas em termos de autenticidade. À primeira vista, a Louis Vuitton está no topo da lista do estudo “Global Authentic Brand 100”, da Cohn & Wolfe, classificada em 65o lugar. A Hermès, por outro lado, não aparece no ranking.

Mas as aparências enganam. Veja, na galeria de fotos abaixo, 5 motivos para a Hermès estar acima da Louis Vuitton no que diz respeito a luxo autêntico:

O luxo autêntico sussurra, não grita

No geral, a LVMH investiu muito mais em despesas de marketing e vendas do que a Hermès. Em 2017, 38,4% da receita total da empresa, de € 42,6 bilhões (US$ 48,6 bilhões), foram destinado a essas ações. Em comparação, a Hermès destinou 29,8% de suas receitas de € 5,5 bilhões (US$ 6,28 bilhões) para o mesmo propósito.

No entanto, esses números não são uma comparação estrita, já que a LVMH contempla 70 marcas individuais versus a Hermès.

A lista da FORBES das marcas mais valiosas do mundo apresenta os detalhes. A Louis Vuitton (a marca), classificada como 15ª no ranking geral e avaliada em US$ 33,6 bilhões, gerou US$ 12,9 bilhões em vendas e investe US$ 5,4 bilhões – 42,9% das vendas – em publicidade. Se isso não é gritante, eu não sei o que seria. (A LVMH não reporta receitas de suas marcas individuais.)

Por outro lado, a Hermès gasta 5% das vendas (US$ 298 milhões dos US$ 6 bilhões em receita) em publicidade. Elegância sutil e silenciosa é a abordagem da Hermès com relação à publicidade, e não a ampla exposição como no caso da Louis Vuitton.

O luxo autêntico não é para todos, mas para alguém especial

Sim, o monograma da Louis Vuitton tem uma herança que se estende por mais de um século, sendo introduzida pela primeira vez em 1896. Mas hoje, apesar do alto preço de suas bolsas de lona, ​​a marca e seus produtos podem ser os maiores perpetuadores de poluição gráfica do mundo.

Onde quer que você vá, uma bolsa LV está à espreita. A onipresença está em completa oposição ao código de conduta de uma autêntica marca de luxo.

A Hermès faz exatamente o oposto. Seu estilo é característico e imediatamente reconhecível para os familiarizados, embora, em nossa cultura obcecada por celebridades, a marca tenha se tornado mais amplamente reconhecida.

E, enquanto podem orgulhosamente usar Hermès – quem mais pode realmente pagar por ela? -, as celebridades possuem a marca, mas não são de propriedade da marca. Victoria Beckham teria uma coleção de bolsas da Hermès no valor de mais de US$ 2 milhões.

Ao mesmo tempo em que a Hermès rejeita os endossos das celebridades como uma estratégia de marketing, a Louis Vuitton a abraça completamente. Angelina Jolie, por exemplo, recebeu cerca de US$ 8,5 milhões para representar a marca em uma única campanha publicitária em 2011. Isso, supostamente, foi um dos maiores contratos de endosso de uma campanha publicitária.

Nesse cenário, a Louis Vuitton quebra outra regra fundamental do marketing de marcas de luxo descrito por Vincent Bastien e Jean-Noël Kapferer em um capítulo, em 2013, de “Luxury Marketing: A Challenge for Theory and Practice”:

“Celebridades devem ser usadas com cautela na estratégia de luxo, se a marca quiser construir seu poder de precificação, distinção, estilo e apelo sustentado. Elas não são usadas ​​como agentes de vendas, para novos clientes comprarem o produto por meio de um modelo de imitação”.

A Hermès faz o certo, usando verdadeiros compradores da marca para dar um testemunho autêntico de seu extraordinário valor.

O luxo autêntico é esquivo, não de fácil acesso

Exclusividade por meio da distribuição cuidadosamente controlada de uma coleção de marca de grife é outra característica do luxo autêntico. Assim como essas marcas não podem ser fortemente promovidas ou projetadas para agradar a todos, parte do mistério e da magia está no raro e difícil de conseguir.

A Louis Vuitton opera cerca de 460 boutiques. A Hermès não fica muito atrás, com pouco mais de 300 lojas em todo o mundo, mas é aí que as semelhanças terminam. A primeira também é amplamente distribuída em todo o mundo em várias lojas de departamentos de luxo, como Neiman Marcus, Saks, Bloomingdales, Nordstrom e Barneys, enquanto apenas um conjunto limitado de perfumes, louças e presentes da Hermès estão presentes nos mesmos locais.

A Louis Vuitton não é o que alguém chamaria de inacessível, muito pelo contrário. Las Vegas, por exemplo, tem nove locais onde os produtos da marca podem ser comprados. Por outro lado, a Hermès limita estritamente a produção e os locais para comprar suas principais linhas. Além disso, mantém uma lista de espera para pessoas que querem comprar uma Birkin, uma de suas bolsas clássicas que geralmente exige dois ou anos ou mais de paciência.

A Hermès limita estritamente a produção e a distribuição de seus produtos com a intenção explícita de não atender à demanda do consumidor, mas de melhorá-la. A Louis Vuitton, por outro lado, responde às pressões de seus acionistas para impulsionar o crescimento. Isso requer mais produtos distribuídos em mais lugares.

No caso do luxo autêntico, quanto mais fundo você cavar, mais autêntico ele se tornará

O luxo autêntico está no centro da marca Hermès e do que ela representa. No caso da Louis Vuitton, ao mesmo tempo que mantém as aparências, não mede esse fator.

Por exemplo: o “Business of Korea” informou este ano que os sapatos da Louis Vuitton são produzidos em uma fábrica na Romênia e, em seguida, enviados para a Itália, onde as solas são fixadas. Isso acontece apenas para que a marca possa anexar uma etiqueta de “Made in Italy” nos produtos. Essa operação é estritamente legal, embora não autenticamente genuína, uma vez que as regras da União Europeia especificam que o país de origem pode ser reivindicado onde a produção final é realizada, não onde a maioria do produto é realmente feita.

O título de uma autêntica marca de luxo deve ser conquistado, não autoproclamado

Para ser uma autêntica marca de luxo, a designação deve ser conquistada (Hermès) e não apenas um título reivindicado (Louis Vuitton). Em última análise, a Louis Vuitton é forte em marketing, mas leve na autenticidade. A Hermès é o oposto.

O fato de que a Louis Vuitton pode continuar impulsionando as vendas e o crescimento é digno de crédito, como comprovam seus resultados mais recentes, do primeiro semestre: 25% de crescimento da receita nas categorias de moda e artigos de couro onde é classificada.

Mas, como disse Abraham Lincoln, “você pode enganar algumas pessoas o tempo todo, e todas as pessoas algumas vezes, mas não pode enganar todas as pessoas o tempo todo”.

Até hoje, a Louis Vuitton fez um excelente trabalho ao manter um crescimento agressivo por meio de marketing e gerenciamento especializados, mas está brincando com sua autenticidade. Este pode ser o calcanhar de Aquiles da marca, o fator que que poderá desequilibrá-la. Os clientes verdadeiramente ricos querem marcas autênticas de luxo e não pretendentes.

Matéria originalmente publicada por:       https://forbes.uol.com.br/

São Paulo – Brasil – 23:02

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Josy Galvão

 

O humor indestrutível dos brasileiros

Torcedor brasileiro enfeitado com bandeirinhas do Brasil, flores e bichos antes da partida contra o México pela Copa de 2018Torcedor brasileiro na partida contra o México pela Copa de 2018

 

Escrevi nesta coluna alguns textos muito críticos sobre a situação do Brasil. A maioria dos leitores concordava com a condenação. Mesmo assim, também sentia o desconforto com o fato de um julgamento tão severo sobre o país vir logo de um estrangeiro. E, com cada vez mais frequência, ouço a pergunta: não tem nada que você goste no Brasil, por que você vive aqui?

Por isso, hoje quero falar sobre uma das características mais adoráveis dos brasileiros: o humor indestrutível. Além da incrível musicalidade, ele é o que eu mais admiro. Tenho a impressão de que os brasileiros – se é que posso generalizar assim – têm uma grande facilidade de rir. De certa maneira, eles são a imagem antagônica ao clichê do alemão sério.

Foi justamente durante o jogo do Brasil contra a Bélgica na Copa do Mundo que tive a ideia de escrever sobre isso. Ao meu lado, estavam sentadas duas senhoras que deviam ter uns 65 anos. Elas comentavam a partida de forma vivaz e, a cada ataque dos belgas, pediam aos risos que os “gigantes vermelhos” fossem derrubados. Quando o jogo acabou e o Brasil foi eliminado, uma das duas falou: “Agora vamos buscar o hexa no Catar. Nosso time vai amadurecer e ficar ainda melhor”. A outra respondeu: “Igual à gente”. As duas deram risada.

Testemunhei o mesmo tipo de descontração na rua. Não se ouviam xingamentos agressivos como na Alemanha, depois da eliminação. Em vez disso, as pessoas estavam preocupadas em mostrar os primeiros memes que iam aparecendo nas mensagens de celular, a exemplo da bandeira alemã redesenhada como bandeira belga: “A inimiga não foi embora. Ela está disfarçada”.

A velocidade com que se inventam piadas no Brasil sempre volta a me deixar pasmado. É algo que já tinha chamado minha atenção durante o 7 a 1. No intervalo, as pessoas já diziam que nem a Volkswagen conseguia fazer cinco gols em 45 minutos.

Se o Brasil passa por uma crise – e, nos últimos anos, elas foram abundantes – pode-se ter certeza de que alguém vai começar a tirar um sarro da situação. E o humor, que frequentemente consiste no exagero e no cruzamento de coisas que não têm nada a ver umas com as outras, é o que mais se aproxima da descrição de uma realidade que costuma ser absurda. Ele torna o insuportável mais suportável.

Foi assim durante os protestos de 2013 (“Odeio bala de borracha, joga um Halls”). E voltou a acontecer no último fim de semana, durante o cabo de guerra jurídico envolvendo a soltura de Lula (“Justiça brasileira recorre ao árbitro de vídeo para julgar o caso Lula”). Especialmente em momentos de crise e de dor, as fábricas de memes brasileiras trabalham a todo vapor. O humor nasce da necessidade.

Essa criatividade espontânea também existe no âmbito pessoal. Recentemente, por exemplo, ouvi um homem conversando ao telefone na rua. Ele estava brigando com a outra pessoa, até que falou: “Você plantou pimenta. Não vai colher morango, não.”

Do mesmo jeito o Neymar que caía demais nos jogos da Seleção já virou verbo na fala popular. Num bar eu ouvi um homem falar: “Vou beber até Neymar”. E o nome do ministro Gilmar Mendes, na linguagem popular, agora é sinónimo de “soltar”. Ele virou o “Soltador-Geral da República”.

Como alemão, é claro que admiro o jeito criativo com que os brasileiros lidam com situações difíceis. É que, enquanto as pessoas na Alemanha tendem a problematizar muitas coisas e mergulhar na angústia, os brasileiros, muitas vezes, riem da própria condição. Eles conseguem – bem diferente dos alemães – rir de si mesmos e da situação do país.

Naturalmente, isso tem relação com o fato de que não parece ter alternativa. Como viver num país no qual os ricos são os ladrões, e os pobres, os roubados? Como brasileiro, é preciso olhar para frente com esperança porque o presente não costuma ser motivo de alegria. Da tragédia de viver num país que sempre fica abaixo das próprias expectativas nasce a comédia. O riso como libertação.

Com frequência, a origem do riso brasileiro é datada nos tempos da escravidão. Os escravos eram obrigados a se apresentarem bem-humorados na Casa Grande. Depois, rir sobre a tristeza continuou no samba. Já é possível encontrar essa atitude em Pelo Telefone, o primeiro samba, que já tem 102 anos. O peru me disse/Se o morcego visse/Não fazer tolice/Que eu então saísse/Dessa esquisitice/De disse-não-disse.

E, também na literatura, há exemplos suficientes. Estou lendo o maravilhoso épico Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Além da fantasia sem fronteiras do autor, admiro seu tom subjacente levemente irônico. Paradoxalmente, o livro trata do violento surgimento do Brasil.

Porém, mesmo com todos os elogios à leveza brasileira, é preciso dizer que nem todo humorista autodenominado é engraçado. Quem faz gozação sobre os mais fracos, ou brinca com o ressentimento em relação a minorias, não tem humor no coração, mas ódio. Figuras como Danilo Gentile não entenderam a natureza do humor, que, desde seu surgimento, sempre serviu para que aqueles que não tinham poder rissem dos poderosos.

E, portanto, não é à toa que o presidente brasileiro seja um objeto tão apreciado de zombaria e escárnio. Parece ser um esporte nacional fazer piada dele. “Michel: Marcela, onde vamos jantar? – Marcela: Fora, Temer!

Com seu humor espontâneo, os brasileiros são para a América Latina o que os ingleses são para a Europa com seu humor negro. Eles me lembram um pouco o Cristo no filme A vida de Brian, da trupe satírica Monty Python. Crucificado, ele canta: “Sempre enxergue o lado bom da vida.”

O colunista da DW Philipp Lichterbeck, que vive no Rio de Janeiro

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Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para os jornais Tagesspiegel (Berlim), Wochenzeitung (Zurique) e Wiener Zeitung. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

 

 

 

Matéria originalmente publicada por:     http://www.dw.com/pt-br

São Paulo – Brasil – 06:50

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Josy Galvão

Por que é que a unificação das Alemanhas destruiu o futebol do lado Oriental?

Os capitães Bernd Bransch, da Alemanha Oriental, e Franz Beckenbauer, da ocidental, em 1974.

Créditos da foto: Os capitães Bernd Bransch, da Alemanha Oriental, e Franz Beckenbauer, da ocidental, em 1974.

A Alemanha é uma potência do futebol. No entanto, apenas um jogador da seleção que participou do Mundial de 2018, o meia Toni Kroos, veio da Alemanha Oriental.

Por um período de mais de 40 anos durante o século 20, a Alemanha esteve dividida em dois países separados, Oriental e Ocidental. Mas já se passaram 30 anos desde que a reunificação aconteceu, e qualquer um poderia achar que as disparidades regionais diminuíram. Então por que é que atualmente o futebol alemão é tão dominado por jogadores e clubes oriundos do lado Ocidental? E o que diz este desequilíbrio sobre o estado da reunificação alemã?

Durante a guerra fria, dos anos 1940 até outubro de 1990, a Alemanha Ocidental capitalista foi aliada dos Estados Unidos da América, enquanto a comunista Alemanha Oriental era aliada da União Soviética. Após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, as potências vitoriosas desmantelaram todas as organizações desportivas do país.

Alguns anos depois, o governo da Alemanha Oriental reintroduziu o futebol amador como parte do programa de educação física no trabalho nas grandes cooperativas controladas pelo Estado que surgiram após a estatização da economia. Enquanto isso, no início dos anos 1960, uma liga de futebol profissional, a Bundesliga, era criada no lado Ocidental.

Diferentemente do que acontecia na sua correspondente Ocidental, cujos clubes funcionavam como empresas comerciais, os clubes da Alemanha Oriental eram organizações fortemente controladas pelo Estado socialista. O governo da Alemanha Oriental investiu realmente no desporto. Mas eles priorizavam os atletas olímpicos do país, não os clubes de futebol.

Alguns clubes de futebol alemães orientais, como o 1. FC Magdeburg, conquistaram considerável sucesso em competições internacionais. O auge do futebol do país foi o gol de Jürgen Sparwasser que deu a vitória à Alemanha Oriental contra a Ocidental durante o Campeonato do Mundo de 1974. A Alemanha Ocidental perdeu em casa. A maioria dos alemães orientais acima dos 50 é capaz de dizer exatamente onde estava quando viu esse gol; é o “momento Kennedy” da sua geração.

Para poder competir com clubes internacionais da Europa Ocidental capitalista que podiam contratar jogadores do mundo todo, os clubes alemães orientais investiram em operações de recrutamento locais e em academias de futebol, que identificavam e cultivavam o talento doméstico. Muitos destes jogadores amadureceram justamente no momento da reunificação do país.

No verão de 1990, nove meses após a queda do muro de Berlim, a seleção alemã – inteiramente composta por alemães ocidentais – ganhou o Campeonato do Mundo na Itália. Como as associações de futebol do Ocidente e do Oriente ainda não se haviam tornado uma só, nenhum jogador alemão oriental esteve em campo durante o torneio.

Após o jogo, o treinador Franz Beckenbauer orgulhosamente previu que a futura vinda de jogadores do lado Leste do rio Elba tornaria a seleção da Alemanha unificada imbatível por anos. Beckenbauer estava certo? Ja und nein.

A equipe da Alemanha unificada certamente não se tornou imbatível durante os anos 1990. No entanto, os jogadores da Alemanha Oriental de fato se juntaram  aos seus pares alemães ocidentais na seleção. Na verdade, apenas 9 dos 20 jogadores da seleção de 2002 tinham raízes ocidentais.
Os alemães orientais que jogaram na equipe da Alemanha unificada nas duas décadas após a reunificação nasceram todos entre a metade dos anos 1960 até o final dos 1970. Todos tinham sido descobertos e treinados pelos programas de desenvolvimento de jovens da Alemanha Oriental.

O que aconteceu? Por que – com a exceção de Kroos – nenhum destes jogadores da atual seleção alemã vem da parte Leste do país? A resposta está na economia. Após a queda do muro de Berlim, os melhores jogadores orientais se juntaram imediatamente aos clubes do lado Ocidental que lhes podiam pagar salários mais altos. Ao mesmo tempo, como aconteceu com as economias de outros países ex-soviéticos que fizeram a transição do comunismo para o capitalismo, a rápida reorganização da economia da Alemanha Oriental levou ao colapso indústrias inteiras.

Os clubes da Alemanha Oriental sentiram o golpe. Nem um só clube do lado Oriental conseguiu estabelecer uma presença permanente na Bundesliga, a primeira divisão alemã. Sem receber subsídios governamentais e incapazes de obter dinheiro de acordos com a televisão e parceiros privados como a sua irmã Ocidental, os clubes orientais foram forçados a reduzir radicalmente as suas escolas de formação.

Kroos naturalmente é o ponto fora da curva. Mas ele deve pouco aos clubes de futebol da Alemanha Oriental. O seu pai, Roland Kroos, foi treinador de futebol. Roland não só identificou o potencial do filho, como foi capaz de desenvolver os talentos do seu garoto. Quando Kroos era adolescente, o seu pai colocou-o na academia de um dos mais exitosos impérios do futebol, o Bayern de Munique. Foi no Ocidente que Toni – apelidado pelo pai de “projeto familiar”– amadureceu como jogador antes de se transferir para o Real Madrid, onde joga quando não está na seleção.

Hoje, o domínio do Ocidente no futebol alemão simboliza as divisões econômicas do país. Como muitas outras indústrias, o futebol da Alemanha Ocidental ficou à frente após a unificação. O desequilíbrio geográfico no futebol alemão é emblemático das não admitidas desigualdades econômicas entre Oriente e Ocidente que persistem até hoje.

Por: Per Urlaub é pró-reitor de Escolas de Línguas e Professor Associado do Middlebury College. Tradução: Cynara Menezes para Socialista Morena

 

 

Matéria originalmente publicada por:  https://www.cartamaior.com.br

São Paulo – Brasil – 08:05

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Josy Galvão