Archive for the ‘Futebol Alemão/Bundesliga’ Category

Seleção alemã pedalou em 2019, mas não saiu do lugar

A equipe comandada por Joachim Löw não aparece entre as favoritas para conquistar a Euro 2020. E seu futebol irregular tem desestimulado os torcedores, que têm evitado lotar os estádios.

Bundestrainer Joachim Jogi Loew (picture-alliance/E. Geuppert)

O técnico da seleção alemã, Joachim Löw, que ainda tenta montar uma equipe para a Euro 2020

Apesar da classificação relativamente tranquila para a Euro 2020 e também da convincente vitória sobre a Irlanda do Norte no último jogo do ano, ainda não é possível chegar a conclusões definitivas sobre a capacidade da Alemanha de participar desse torneio com dignidade e à altura das suas melhores tradições.

O próprio técnico Joachim Löw, que dirige a equipe pela oitava vez numa competição internacional, não sabe direito a quantas o time anda por conta de sua frequente instabilidade. Ele mesmo confessou recentemente: “Não nos vemos como favoritos. Não adianta alimentar muitas expectativas”.

Sinal dos tempos. Talvez seja por causa disso que nas últimas três partidas em casa, boa parte da torcida alemã preferiu ficar confortavelmente instalada na sua sala de estar tomando uma cervejinha do que pagar até 80 Euros por um ingresso.

No amistoso contra a Argentina em Dortmund, por exemplo, apenas 45.000 torcedores apareceram no Signal Iduna Park. Nas últimas duas partidas pelas eliminatórias da Euro, contra Belarus e Irlanda do Norte, o público também não lotou as arenas. Em Mönchengladbach compareceram apenas 33.000 espectadores e em Frankfurt foram 42.000. 

Löw está no comando da seleção há treze anos e nunca, durante todo esse período, tão poucos torcedores foram aos estádios para ver a equipe como em 2019 – em média apenas 37.000 por jogo. O desastre na Copa da Rússia e a horrorosa campanha na Liga das Nações em 2018 deixaram marcas indeléveis no coração da torcida que tem muitas reclamações a fazer e isto não apenas no campo esportivo.

Ter o prazer de ver a seleção jogando in loco ficou caro para o torcedor comum: “É muito dinheiro. São até 80 Euros por um ingresso mais 130 pela nova camisa, o custo do transporte, além dos comes e bebes, enfim, está tudo muito caro”, conta um fã que veio de Hamburgo para ver a seleção jogar em Mönchengladbach.

O torcedor já não aguenta mais as exageradas e artificiais campanhas de marketing em torno da seleção que dá a impressão de se tornar uma marca a ser comercializada: ”Die Mannschaft”. Acrescentem-se ainda os recentes escândalos de corrupção envolvendo dirigentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), como por exemplo, o ex-presidente Reinhard Grindel que, diante das suspeitas levantadas, viu-se na contingência de renunciar ao cargo. É a receita pronta para o esvaziamento dos estádios.

Pode até ser que o torcedor não teria dado tanta importância aos fatores citados se a seleção ao menos apresentasse um futebol que o fizesse sonhar como fez em 2014. Acontece que o time oscila demais.

A rigor, dos dez jogos disputados em 2019, em apenas dois a equipe jogou relativamente bem. Foi contra a fraquíssima Estônia em junho na vitória por 8 a 0 e, nesta terça-feira, contra uma desmotivada Irlanda do Norte que levou uma sapatada por 6 a 1.  De resto, houve apresentações apenas regulares, pautadas por assustadoras quedas de rendimento no decorrer de uma mesma partida.

Consequentemente, pela primeira vez nos últimos dez anos, a Alemanha não é cotada como uma das favoritas ao título numa competição internacional. França, Inglaterra, Bélgica, Espanha e Holanda, pelo que mostraram nas eliminatórias, estão bem mais adiantadas do que os alemães. Todas já têm uma equipe montada. Se o torneio começasse amanhã, estariam prontas para entrar em campo.

Não é o caso da seleção alemã. A rigor, Löw até agora não sabe como vai montar seu time titular. Faltam seis meses e apenas duas partidas amistosas para o técnico definir o elenco que levará para Seefeld no Tirol onde, no hotel mais luxuoso e bucólico dos Alpes austríacos, a seleção se concentrará durante duas semanas para a Eurocopa.

Joachim Löw não fez a renovação que poderia ter feito logo depois de ter conquistado a Copa das Confederações em 2017. Perdeu um ano precioso e pagou um alto preço por sua teimosia.  Ficou pedalando sem sair do lugar e tentará, a partir de agora, recuperar o tempo perdido.

A verificar a partir de agora se a bela partida contra a Irlanda do Norte foi um primeiro passo nessa direção ou apenas mais uma pedalada que, no fim e ao cabo, não leva a lugar nenhum.

 

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

 

Matéria originalmente publicada por:  https://www.dw.com/pt-br

São Paulo – Brasil – 13:47

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Josy Galvão

Seleção Alemã faz convocação para os últimos jogos de 2019 e já tem duas baixas

Após a divulgação da Seleção Alemã dos convocados para os últimos jogos de 2019, válidos pelas Eliminatórias da Eurocopa 2020, a equipe comandada por Joaquim Löw já sofreu duas baixas. Marco Reus, jogador do Borussia Dortmund, que segundo informações da DFB, tem um problema no tornozelo e Kai Havertz do Bayer Leverkusen, que sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda durante a vitória do Leverkusen por 2 a 0, para o Wolfsburg, na última rodada da Bundesliga. São dois jogadores importantes para a equipe, mas tudo indica que Löw não substituirá os atletas cortados.  A seleção nacional lidera o grupo e com certeza garantirá a vaga para a competição.

No próximo sábado, dia 16 de novembro, os alemães enfrentam a Bielorrússia em Mönchengladbach. No dia 19 de novembro, será a vez de encarar a Irlanda do Norte, em Frankfurt.

Confira os nomes:

Goleiros: Bernd Leno -Arsenal-ING, Manuel Neuer – Bayern de Munique, Marc-André ter Stegen – Barcelona-ESP .

Defensores: Matthias Ginter – Borussia Mönchengladbach, Lukas Klostermann – RB Leipzig, Niklas Stark – Hertha Berlim, Robin Koch – Freiburg, Nico Schulz – Borussia Dortmund, Jonathan Tah – Bayer Leverkusen, Jonas Hector – Colônia.

Meio-campistas: Julian Brandt – Borussia Dortmund, Emre Can – Juventus-ITA, Joshua Kimmich – Bayern de Munique, Ilkay Gündogan – Manchester City-ING, Nadiem Amiri – Bayer Leverkusen, Toni Kroos – Real Madrid, Leon Goretzka – Bayern de Munique, Sebastian Rudy – Hoffenheim, Suat Serdar – Schalke.

Atacantes: Timo Werner – RB Leipzig, Serge Gnabry – Bayern de Munique, Luca Waldschmidt – Freiburg.

#WeAreGermany

São Paulo – Brasil – 13:26

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Por Josy Galvão

Futebol Alemão – David Abraham, capitão do Frankfurt, fica sete semanas sem jogar por derrubar técnico do Freiburg

Deve suspender sete semanas: David Abraham (r.) Após sua ação contra Christian Streich © imago images / Jan Huebner

O tribunal de esportes da Federação Alemã de Futebol (DFB), puniu David Abraham, capitão do Eintracht Frankfurt,  por agredir o técnico adversário com um gancho de sete semanas e uma multa de 25.000 euros. A suspensão ocorrerá de 10 de novembro a 29 de dezembro de 2019.

O fato ocorreu no tempo adicional da partida da Bundesliga contra o  SC Freiburg, em 10 de novembro de 2019, o jogador foi expulso pelo árbitro Dr. Felix Brych, após derrubar intencionalmente o técnico do Freiburg, Christian Streich, que se encontrava a beira do gramado, área destinada aos técnicos das equipes.

Um recurso contra a decisão do juiz pode ser apresentado ao tribunal esportivo da DFB dentro de 24 horas.

O jogador David Abraham, pediu na segunda-feira desculpas públicas ao treinador Christian Streich.

“Quero pedir desculpas a Christian Streich. Tudo aconteceu porque quis colocar a bola rapidamente em jogo. Felizmente, conseguimos falar após o jogo e deixar tudo claro”, afirmou David Abraham, através dos canais do Eintracht Frankfurt. Mas o pedido de desculpas não foi suficiente para evitar a punição.

Em campo, o Freiburg venceu por 1 a 0, num jogo em que o Eintracht Frankfurt terminou reduzido a nove jogadores, uma vez que Gelson Fernandes também foi expulso.

Confira as imagens abaixo:

 

#WeAreGermany

São Paulo – Brasil – 12:51

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Por Josy Galvão

 

 

Seleção Alemã lança camisa para Euro 2020 dentro de um ônibus em Berlim

 © DFB

Mesmo sem estar 100% classificada para a Euro 2020, a Seleção da Alemanha lançou em parceria com a Adidas, o uniforme para competição.

O novo uniforme foi apresentado pelos jogadores em Berlin. Como parte da campanha produzida pela Adidas, Manuel Neuer circulou no ônibus 200, com embarque na estação Alexanderplatz. O fã Pascal Reunert não vai esquecer nunca esta viagem de ônibus,  “Eu tinha um lugar no ônibus, de repente o goleiro Manuel Neuer embarca,” diz ele, surpreso, acrescentando: “Afinal, você não encontra um goleiro mundial todos os dias”.

O encontro não foi coincidência, é claro. No fim de semana, Pascal recebeu uma comunicação da seleção nacional, por fazer parte de um Fã Clube, que havia ganho uma viagem surpresa para Berlim. No entanto, ele não sabia que de repente se tornaria parte das filmagens da Adidas para a nova camisa da Mannschaft. “Foi realmente emocionante”, diz Pascal, “foi realmente uma experiência interessante”.

A nova camisa terá sua estreia no próximo sábado, dia 16 de novembro, contra a Bielorrússia em Gladbach, pelas Eliminatórias da Euro 2020.

Confira as imagens do lançamento:

Fan Pascal Reunert com Manuel Neuer em Berlim: "Foi realmente uma experiência colle" © equipe nacional do Fan Club

Manuel Neuer com o fã Pascal Reunert

 © DFB

 

 © adidas

 

 

 © adidas

 

 © DFB

 

 © adidas

 

 © DFB

 

 © DFB

 

 © adidas

 

 © DFB

 

© DFB |  PHILIPPREINHARD.COM

 

 

#WeAreGermany

São Paulo – Brasil – 12:17

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Por Josy Galvão

O Muro de Berlim caiu e levou junto o futebol da Alemanha Oriental

Fim do regime comunista e Reunificação alemã trouxeram consequências radicais para os times da RDA. Clubes tiveram que se adaptar ao sistema capitalista e sofreram um sangramento do qual até hoje não se recuperaram.

Ulf Kirsten, com camisa do Dynamo Dresden, em 1987

Ulf Kirsten jogou pelo Dynamo Dresden e se transferiu para o Leverkusen: “Eu não sabia como funcionava o capitalismo”

Além de ter sido o fato histórico mais emblemático do fim do regime comunista na antiga Alemanha Oriental, a queda do Muro de Berlim, em 1989, representou também o pontapé inicial para o declínio dos clubes de futebol da extinta República Democrática Alemã (RDA).

Houve um curto lapso de tempo em que equipes da antiga Alemanha Oriental chegaram a fazer bonito em um dos torneios da UEFA. O Carl Zeiss Jena, atualmente na terceira divisão, foi vice-campeão da Recopa em 1981, depois de perder por 2 a 1 para o Dínamo Tíflis (Geórgia). O Lokomotive Leipzig, hoje na quarta divisão, também chegou à final dessa competição em 1987, perdendo para o Ajax por 1 a 0.

O maior feito de um clube da RDA ficou por conta do Magdeburg em 1974. Enfrentou o Milan, que buscava defender o título conquistado na temporada anterior, mas sucumbiu diante dos alemães orientais por 2 a 0. Foi o único título internacional conquistado por um clube do Leste alemão.

Em geral, os clubes do Leste conseguiram se sustentar na Oberliga graças às subvenções do Estado, mas, com a queda do Muro em 9 de novembro de 1989 e a Reunificação do país no ano seguinte, tudo mudou.

No futebol, houve consequências radicais. Clubes profissionais em vez de associações esportivas custeadas pelo Estado. Mercado livre de jogadores em vez de determinações do Partido Socialista Unitário da Alemanha (SED), que governava o regime comunista.

Com o objetivo de se adaptar rapidamente ao novo sistema capitalista, muitos clubes chamaram às pressas empresas de assessoria, managers, técnicos e agentes da FIFA do lado ocidental para implantar uma nova estrutura do futebol. Logo perceberam que o interesse maior desse exército de assessores estava em jogadores talentosos, que poderiam ser levados para os grandes clubes da Bundesliga a preços de Black Friday.

Eduard Geyer, último técnico da seleção da RDA e, posteriormente, treinador do Energie Cottbus, não deixou por menos: “Trouxemos técnicos de quinta categoria e executivos inescrupulosos. Confiamos neles porque achávamos que seriam os salvadores do nosso já combalido futebol.”

Olheiros e agentes se infiltravam nos clubes para garimpar novos talentos. Seduziam os jovens com propostas mirabolantes, e os clubes sofreram um sangramento do qual até hoje não se recuperaram. Os intermediários ganharam muito dinheiro, os jovens talentos receberam algum, e os clubes não receberam nada. Por exemplo, no BFC Dynamo ninguém sabe onde foram parar os dois milhões de marcos que o Leverkusen pagou pela contratação de Andreas Thom.

Geyer conta que seus jogadores da seleção eram assediados enquanto o time se preparava para algum jogo internacional: “Só se pensava em dinheiro. Na partida decisiva pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1990, precisávamos vencer a Áustria no último jogo em Viena. Era o dia 15 de novembro de 1989, seis dias depois da queda do Muro. Matthias Sammer, Ulf Kirsten e Andreas Thom faziam parte do meu time titular. Naufragamos por 3 a 0. Então percebi claramente que não daria mais para segurar esses talentos no Leste. Eles já estavam com a cabeça na Bundesliga.”

Kirsten e Thom foram embora antes da Reunificação alemã, para fazer carreira no Leverkusen. Sammer seguiu para o Stuttgart e se tornou campeão pela Bundesliga em 1992. Um pouco mais tarde, levantou mais uma vez a salva de prata e venceu a Champions League com o Borussia Dortmund.

A queda do Muro de Berlim deu a muitos jogadores da RDA a oportunidade de, pela primeira vez em suas vidas, ganhar muito dinheiro com o esporte. Em compensação, para os clubes do Leste, resultou em uma dramática redução do seu plantel de jogadores, especialmente aqueles com considerável potencial de se desenvolverem.

Calcula-se que durante os dois anos seguintes à Reunificação, olheiros dos clubes da Bundesliga levaram embora mais de 40 jovens jogadores de potencial dos times da RDA. Muitos deles tinham completado apenas 15 anos.

Esses scouts não faziam outra coisa a não ser espionar os treinos dos clubes do Leste. Assediavam os adolescentes com promessas do “Oeste dourado” e tudo isso sem prestar contas aos clubes a respeito de suas tratativas com os jovens. Ao final dessa investida sem escrúpulos, que durou até 1994, contabilizaram-se 150 jogadores da RDA que migraram para o Oeste. Foi um êxodo do qual o futebol do Leste alemão até agora não se recuperou.

Ulf Kirsten, um dos primeiros jogadores a se transferir para o Leverkusen, diz que teve muita sorte por perceber cedo em quem podia confiar: “No começo me senti desamparado, sem saber o que fazer. Muita gente tentou se aproveitar da minha ignorância, especialmente no aspecto financeiro. Afinal, eu nem sabia direito como funcionava o capitalismo.”

A esse quadro de perda prematura de jovens promissores somam-se a desigualdade econômica e financeira entre as duas partes da Alemanha que persiste até hoje, ainda que em menor grau do que em 1989, e o desinteresse de eventuais grandes patrocinadores, sejam do Oeste ou do Leste, em investir em clubes à beira do colapso. É a receita pronta para um futebol de segunda categoria.

O único clube da antiga Alemanha Oriental presente na atual Bundesliga é o Union Berlin. O Leipzig não conta, porque é, antes de mais nada, um clube-empresa sem raízes históricas com a comunidade. As torcidas entendem que esse Leipzig nada mais é do que um produto de marketing de uma empresa de energéticos que nada tem a ver com a cultura futebolística local. Geograficamente, poderia estar situado em qualquer lugar do planeta, como de fato já acontece em Salzburg, Nova York e Bragança Paulista. 

Christian Müller, ex-diretor da Bundesliga, afirma: “Nenhum clube da parte ocidental do país permitiria à uma empresa como a Red Bull ter tanta influência. Acontece que o futebol como um todo está tão mal das pernas na extinta RDA que os marqueteiros da Red Bull literalmente farejaram a sua chance e a aproveitaram para implantar esse modelo.”

Trinta anos depois da queda do Muro de Berlim, na seleção alemã, apenas Toni Kroos é oriundo do Leste. Na Bundesliga, só quatro jogadores nascidos nessa parte da Alemanha são titulares nos seus clubes: Arnold (Wolfsburg), Petersen (Freiburg), Uduokhai (Augsburg) e Andrich (Union Berlin). E no time principal do Leipzig da Red Bull, que afirma se orgulhar de fazer parte do Leste, não há um jogador sequer da região.

Junto com o Muro de Berlim, desabou também o futebol no Leste alemão.

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

 

Matéria originalmente publicada por:  https://www.dw.com/pt-br

São Paulo – Brasil – 11:33

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Josy Galvão

Futebol Alemão – Temporada 2019/2020 – Resultados da 11ª rodada da Bundesliga

Resultado de imagem para bundesliga 2017/18

Temporada 2018/ 2019

11ª Rodada

Res   Palp
08/11/2019  16:30 1. FC Colônia
TSG 1899 Hoffenheim  1 : 2 1 : 2
09/11/2019   11:30 Hertha Berlin
– RB Leipzig  2 : 4 0 : 2
1. FSV Mainz 05
1. FC Union Berlin 2 : 3 2 : 2
FC Schalke 04
Fortuna Düsseldorf 3 : 3 2 : 0
 SC Paderborn 07
FC Augsburg 0 : 1 1 : 2
09/11/2019 Bayern de Munique – Borussia Dortmund  4 : 0 0 : 2
10/11/2019 09:30 Borussia Mönchengladbach
SV Werder Bremen 3 : 1 2 : 1
10/11/2019 11:30 VfL Wolfsburg – Bayer 04 Leverkusen 0 : 2 3 : 1
10/11/2019 14:00 Sport-Club Freiburg
Eintracht Frankfurt  1 : 0 1 : 0

Classificação

OBS: Pos Clube jogos pontos V E D Gols Saldo
CL* 1 Borussia Mönchengladbach 11 25 8 1 2 24:11 +13
CL* 2 RB Leipzig 11 21 6 3 2 29:12 +17
CL* 3 Bayern de Munique
11 21 6 3 2 29:16 +13
CL* Qual. 4 Sport-Club Freiburg 
11 21 6 3 2 20:12 +8
EL* Qual. 4 TSG 1899 Hoffenheim 11 20 6 2 3 16:14 +2
EL* Qual. 6 Borussia Dortmund
11 19 5 4 2 23:15 +8
FC Schalke 04
11 19 5 4 2 20:14 +6
  8 Bayer 04 Leverkusen
11 18 5 3 3 17:15 +2
9 Eintracht Frankfurt 
11 17 5 2 4 21:16 +5
10 VfL Wolfsburg
11 17 4 5 2 11:10 +1
  11 1. FC Union Berlin
11 13 4 1 6 13:17 -4
12 Hertha Berlin
11 11 3 2 6 17:21 -4
13 Fortuna Düsseldorf
11 11 3 2 6 15:19 -4
14 SV Werder Bremen
11 11 2 5 4 18:24 -6
  15 FC Augsburg
11 10 2 4 5 13:24 -11
ZR  15 1. FSV Mainz 05
11 9 3 0 8 12:30 -18
ZR* 17 1. FC Colônia 
11 7 2 1 8 10:23 -13
ZR* 18 SC Paderborn 07
11 4 1 1 9 11:26 -15
CL* – Classificados diretamente para a Champions League 2018/2019
CL* Qual. – Classificado para torneio de qualificação da Champions League 2018/2019
EL* Qual. – Classificados para Liga Europa 2018/2019
ZR – Zona de repescagem – joga com 3º colocado da 2.Bundesliga
ZR* – Zona de rebaixamento para a 2.Bundesliga

 

 

Auf wiedersehen! 

 

#WeAreGermany

São Paulo – Brasil – 15:43

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Por Josy Galvão

Dez anos depois, Enke vive pela voz da mulher, Teresa, que luta para que a história não se repita

Em 10 de novembro de 2009, Enke pôs término à própria vida. Dez anos depois, é a mulher, Teresa, que luta todos os dias para que a história sem final feliz do goleiro alemão não se repita.

Tem de existir sempre um ponto de mudança. Um acontecimento que marca um antes e um depois. Que altera as perspectivas, obriga a mudanças, torna preponderante uma reviravolta no que tinha existido até aí. Para Teresa Enke, é por isso que o marido é um mártir. Para Teresa Enke, a utilização da palavra forte e dura é correta porque tudo mudou desde que o marido morreu. Pode não ter mudado de repente, pode não ter mudado de um dia para o outro e pode ainda estar em mudança, uma década depois: mas tudo mudou. Há 10 anos, Robert Enke perdeu a defesa da própria vida e se suicidou numa estação de trem na Alemanha. E Teresa Enke carrega esse dia todos os dias para “dar significado à tragédia”.

Em 10 de novembro de 2009, o mundo parou em choque para ouvir a notícia da morte de Robert Enke. O mundo do futebol, o mundo do esporte e o mundo no geral ficaram incrédulos a olhar para televisões, a ler jornais e a ouvir rádios quando souberam pela primeira vez que Robert Enke tinha morrido. Não só porque tinha 32 anos, não só porque era o goleiro titular do Hannover, não só porque era o principal candidato à baliza da Seleção Alemã no Mundial da África do Sul: mas porque o que tinha acabado de acontecer era diferente de tudo aquilo que conhecíamos até então. Enke, com uma carreira que tinha passagens pelo Benfica e pelo Barcelona e que parecia estar finalmente sendo cogitado para a seleção, tinha colocado término à própria vida. A crueldade da situação, a frieza com que tudo aconteceu — sem aviso, sem preparação –, nos deixou em pânico. Como é que Enke, que parecia ser mais um ao lado de todos os outros jogadores de futebol, tinha feito aquilo?

Os dias que se seguiram trouxeram respostas. Todas dadas, sem pruridos, sem receios, por Teresa. “É uma loucura porque agora tudo se sabe, de qualquer forma. Pensamos que conseguíamos fazer tudo e fazer tudo com amor mas nem sempre se consegue. Foi o medo daquilo que as pessoas iriam pensar quando se tem uma criança e o pai sofre de depressão. Sempre lhe disse que isso não era um problema. O Robert cuidou da Leila com amor, até ao fim. Depois da morte da Lara tudo nos aproximou. Tentei dizer-lhe que há sempre uma solução. Levava-o aos treinos. Queria ajudá-lo a ultrapassar tudo. Mas ele já não queria ajuda”, disse a mulher do goleiro no dia do funeral. Lara, a primeira filha do casal, morreu devido a uma problema cardíaco; em maio de 2009, seis meses antes de morrer, Enke e a mulher adotaram Leila. Foi o incontrolável medo de perder a filha que impediu o jogador de revelar que estava na luta contra uma grave depressão.

Teresa Enke é fundadora e presidente da Fundação Robert Enke

 

Depressão essa que não era propriamente uma novidade. Ainda que o ano de 2009 tenha sido o mais complexo, existiram outros alertas ao longo do tempo: o ataque de pânico que teve logo depois de assinar pelo Benfica e que quase o fez desistir de se mudar para Portugal; a forma pouco saudável como reagiu ao fato de ser suplente de Víctor Valdés no Barcelona; o bloqueio que sofreu durante um jogo a serviço do Fenerbahçe; o estado depressivo em que se afundou logo depois da morte da filha, em 2006. Tudo isso, embora com altos e baixos, culminou naquele dia há 10 anos porque se arrastou e avolumou como uma bola de neve. “Ele sofria de depressão e medo de falhar. Apesar de fazer terapia diária durante meses, não conseguiu evitar o suicídio”, explicou Valentin Markser, médico que acompanhou o goleiro na passagem pelo Barcelona. Segundo o especialista, Enke pediu desculpas à família e aos profissionais de saúde na carta que deixou por ter mentido deliberadamente de forma a fazê-los acreditar que estava melhor.

Dez anos depois, o mundo do desporto atravessa uma fase de mudança e de autêntica revolução no que toca à saúde mental. Se a NBA inovou com a criação de um plano obrigatório e transversal a todas as equipas para evitar e prevenir situações de risco, são cada vez mais os jogadores de futebol que revelam que ultrapassaram depressões, ansiedades, ataques de pânico. Buffon, Ederson e Marcelo estão entre os mais recentes mas também Gary Neville, Ferdinand e Iniesta já confessaram ter sofrido de situações semelhantes. Na Alemanha, o país de Enke, todas as academias de todos os clubes de futebol têm equipes de psicólogos e terapeutas preparadas para lidar com jovens jogadores e convencê-los, desde muito novos, de que é normal e aceitável admitir que não está tudo bem. No futebol profissional, porém, as coisas não são assim tão simples.

  O goleiro representou o Benfica entre 1999 e 2002

 

“A base do problema é que tudo o que tem a ver com saúde mental ainda é abordado com ansiedade. Tem tudo a ver com a forma como as pessoas maquiam a própria mente. Tendem a tentar continuar a funcionar adiando o problema durante o maior período de tempo que conseguirem, mesmo quando já estão sofrendo. A dor mental é muito diferente da dor física”, explicou Marion Sulprizio, uma psicóloga  esportiva, durante uma conferência organizada pela Fundação Robert Enke. A Fundação, criada por Teresa Enke, tem como objetivo combater o preconceito contra as perturbações mentais nos esportes em geral e em particular no futebol e organiza várias ações de sensibilização para aprofundar o tema.

Há dois anos, por ocasião daquele que seria o 40.º aniversário de Enke, Teresa deu uma entrevista ao Telegraph onde revelou que o plano do alemão, depois de terminar a carreira, era regressar a Lisboa com a família e se tornar  treinador de goleiros no Benfica, onde passou “um dos períodos mais felizes”. Dez anos depois da morte de Enke, é Teresa quem tenta prolongar o legado do jogador para “quebrar o estigma, quebrar o tabu, mostrar que a doença mental é algo que pode ser curado e que não há nada de errado em admitir que temos um problema”, como explicou ao jornal inglês. Enke vive através da filha, que tem agora oito anos, através do futebol e através da memória de todos aqueles que em 10 de novembro de 2009 pararam em choque em frente a uma televisão, a uma rádio ou a um jornal. Mas vive principalmente através de Teresa, que o honra e homenageia nos mais simples detalhes: como o fato de, há poucas semanas, ter enviado pessoalmente uma carta ao maquinista do trem que acabou por atropelar o alemão. “Não sei o seu nome mas queria dizer-lhe que o Robbi nunca quis envolver mais ninguém na sua própria morte. Peço imensa desculpa. E sei que o Robbi diria exatamente o mesmo”, escreveu.

 

#WeAreGermany

São Paulo – Brasil – 15:02

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Por Josy Galvão