Wembley celebra poderio alemão

Wembley celebra poderio alemão

© Getty Images

Pela primeira vez na história da Liga dos Campeões da UEFA, dois clubes alemães ficarão frente a frente na disputa da final. Bayern de Munique e Borussia Dortmund chegam à decisão de sábado no Estádio de Wembley, em Londres, depois de levarem a melhor no duelo com os dois gigantes do futebol espanhol, Barcelona e Real Madrid.

Este será o quinto confronto da temporada entre os dois clubes germânicos, os quais já foram campeões europeus e se conhecem como a palma das mãos. E não devem faltar gols e espetáculo nesta quarta final entre duas equipes de um mesmo país, já que o Bayern ostenta o melhor ataque da competição (29, média de 2,42 gols por partida) e o Borussia, o terceiro (23, média de 1,92).

O jogo
As estatísticas da temporada são amplamente favoráveis ao Bayern, que se manteve invicto nos quatro confrontos com o Borussia (duas vitórias e dois empates) e ostentou uma superioridade ultrajante no campeonato nacional. O time escarlate somou 91 pontos nas 34 rodadas da Bundesliga e só sofreu uma derrota, contra o Bayer Leverkusen, terminando com 25 pontos a mais que o viceBorussia Dortmund.

Rivais de longa data, os dois clubes já se enfrentaram uma centena de vezes na história, e o melhor retrospecto novamente é dos bávaros, com 45 vitórias contra 25 do Borussia. Além disso, o Bayern deu uma verdadeira aula de futebol nos mata-matas da Champions, somando 4 a 0 nos dois jogos contra a Juventus e outros 7 a 0 diante de ninguém menos que o Barcelona. Com rendimento exemplar, o time transmite a impressão de estar crescendo para que o técnico Jupp Heynckes se despeça em alta. Vale lembrar que ele cederá o banco a Pep Guardiola ao final da temporada.

Já o Borussia causou sensação ao vencer de forma invicta uma chave considerada bastante difícil na primeira fase, com Real Madrid, Manchester City e Ajax. Em seguida, a equipe de Dortmund passou por altos e baixos, goleando o Real por 4 a 1 no jogo de ida`das semifinais, mas depois de ter passado milagrosamente pelas quartas, virando diante do Málaga nos últimos segundos do confronto.

Mesmo assim, os aurinegros contam com talentos individuais capazes de fazer a diferença, do goleiro Roman Weidenfeller, que realizou o maior número de defesas decisivas (41), ao centroavante Robert Lewandowski, vice-artilheiro do torneio atrás de Cristiano Ronaldo. O único problema é que o meia Mario Götze voltou a sentir uma lesão na coxa e não entrará em campo para enfrentar os futuros companheiros.

Campanha rumo à final
Bayern de Munique:
- Primeiro do Grupo F (Valencia, Bate Borisov, Lille): 13 pontos com quatro vitórias, um empate e uma derrota
- Oitavas de final contra o Arsenal (vitória por 3 a 1 fora e derrota por 2 a 0 em casa)
- Quartas de final contra a Juventus (duas vitórias por 2 a 0)
- Semifinal contra o Barcelona (vitórias por 4 a 0 em casa e por 3 a 0 fora)

* Borussia Dortmund
- Primeiro do Grupo D (Real Madrid, Ajax, Manchester City): 14 pontos com quatro vitórias e dois empates
- Oitavas de final contra o Shakhtar Donetsk (2 a 2 fora e vitória por 3 a 0 em casa)
- Quartas de final contra o Málaga (empate sem gols fora e vitória por 3 a 2 em casa)
- Semifinal contra o Real Madrid (vitória por 4 a 1 em casa e derrota por 2 a 0 fora)

O duelo
O veredito da final muito provavelmente passará pelos pés do polonês Robert Lewandowski, atacante de 24 anos do Borussia, e do francês Franck Ribéry, ídolo do Bayern de 30 anos.

“Quando o contratamos foi como ganhar na loteria”, afirmou Franz Beckenbauer ao término da primeira temporada de Ribéry no clube, em 2007/08. Desde que Heynckes assumiu o comando da equipe, em 2011, o meia se transformou em referência do Bayern, ditando o ritmo, distribuindo milimetricamente a bola ou até resolvendo sozinho, como se viu na última rodada do Campeonato Alemão, uma vitória de 4 a 3 sobre o Borussia Mönchengladbach que teve dois gols e duas assistências do francês. Contudo, os números de Ribéry na Liga dos Campeões (763 minutos de jogo, um gol e passe para outros quatro) não refletem a importância dele para o futebol dos bávaros.

Já as cifras são o melhor cartão de visitas de Lewandowski: mil minutos jogados, dez gols em 24 chutes na meta (dos quais um pênalti) e duas assistências. Atacante temido pelas defesas adversárias que já acumula 75 tentos em 138 partidas pelo Borussia, ele não costuma decepcionar em jogos decisivos. Em abril do ano passado, por exemplo, foi Lewandowski quem marcou o gol da vitória sobre o Bayern que abriu caminho para a conquista do título alemão. Na atual temporada, o jogador polonês teve um aproveitamento ainda melhor, estufando o filó pelo menos uma vez em 12 partidas consecutivas, sem esquecer dos quatro gols que nocautearam o Real Madrid no primeiro jogo da semifinal.

A final em números
O Bayern de Munique já disputou nove finais da UEFA Champions League, com quatro vitórias e cinco derrotas. O time alemão só não chegou mais vezes à decisão continental que Real Madrid (12) e Milan (11), e pode se igualar ao Liverpool caso conquiste um quinto título, novamente atrás apenas de Real (9) e Milan (7).

* O Bayern registrou o placar mais elástico do Campeoanto Alemão diante do Borussia Dortmund em 1971/72, um jogo vencido por 11 a 1 com dois gols de Uli Hoeness, atual presidente do clube bávaro.

* O Borussia Dortmund conquistou a sua primeira Liga dos Campeões na temporada 1996/97, vencendo a Juventus por 3 a 1 na final em Munique.

 * Nas quartas de final da edição de 1997/98, o Borussia eliminou o Bayern com um empate sem gols na ida e uma dramática vitória por 1 a 0 na volta. Stéphane Chapuisat balançou as redes aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação.

* Wembley receberá a sua sétima final da Liga dos Campeões, e a segunda desde a reinauguração em março de 2007.

* Esta será a quarta vez que a decisão do badalado interclubes será disputada por adversários do mesmo país (espanhóis em 2000, italianos em 2003 e ingleses em 2008).

O que eles disseram
“O crescimento do futebol alemão foi organizado de maneira racional, trabalhando com os jovens. Não chegamos lá da noite para o dia. Em Wembley veremos em campo a base da seleção alemã. O futuro está garantido.” Bastian Schweinsteiger, meio-campista do Bayern de Munique

“Mesmo que eu tenha feito três, quatro ou cinco mudanças entre um jogo e outro, isso não teve influência alguma sobre a qualidade do nosso futebol. É um dos segredos do nosso sucesso.” Jupp Heynckes, técnico do Bayern de Munique

“O que fez a diferença é que formamos uma equipe solidária. É a nossa vantagem sobre os adversários.” Jakub Blaszczykowski, meio-campista do Borussia Dortmund

“Em caso de vitória, não seremos o melhor time do mundo. Só teremos derrotado o melhor time do mundo.” Jürgen Klopp, técnico do Borussia Dortmund

Fonte: http://pt.fifa.com

São Paulo – Brasil –  13:28

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JGalvão

Insatisfeito no Real Madrid, Coentrão pode ir para o Chelsea

O lateral do Real Madrid Fábio Coentrão acenou com a possibilidade de deixar a equipe merengue na próxima janela de transferência. O português afirmou que desde que chegou ao clube jamais sentiu o apoio da torcida, mas lembrou que vai sentar com a diretoria para conversar e ver a melhor solução para todos os lados.

- Se não estão contentes comigo, encontraremos uma solução. Desde o primeiro dia que cheguei, sinto que não gostam de mim aqui. Temos que encontrar uma solução que seja boa para mim e para o clube, para que ninguém saia perdendo – explicou Coentrão ao jornal “O Jogo”.

Concorrente de Marcelo na lateral-esquerda merengue, Coentrão sente que os fãs ainda o querem fora do clube, porém não confirma se vai sair ou não. Com a demissão de José Mourinho, que deve ir para o Chelsea, o jogador pode acabar seguindo os passos do comandante compatriota, mas tenta despistar sobre o futuro.

- Hoje parece que todos querem que eu deixe o clube, mas não sei o que eu fiz de mal para eles. Se eu sair do Real Madrid não fecharei a porta para ninguém – finalizou o português.

Segundo o jornal espanhol “Marca”, Coentrão interessaria ao Chelsea para brigar com Ashley Cole, que recentemente renovou o contrato com o clube inglês até meados de 2014. Outro motivo seria a provável contratação de Mourinho pelo Blues.

Fonte:  http://globoesporte.globo.com

São Paulo – Brasil – 13:22

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JGalvão

Uefa aprova medida de ‘tolerância zero’ contra racismo no futebol

Uefa aprova medidas contra racismo no futebol europeu

Uefa aprova medidas contra racismo no futebol europeu - Getty

Depois dos inúmeros casos de ofensas racistas ouvidas dentro de campo, a Uefa finalmente conseguiu aprovar uma medida mais drástica para evitar que eles se repitam no futebol europeu. Nesta sexta-feira, em um Congresso realizado em Londres, a entidade decidiu que irá adotar a política de ‘tolerância zero’ com o racismo nos gramados.

A resolução leva o nome de “Futebol Europeu unido contra o Racismo” e pede a colaboração de todos – jogadores, técnicos e árbitros – na tentativa de acabar com as ofensas racistas contra atletas dentro de campo. A entidade apelou também para as federações, exigindo que as punições sejam rígidas contra clubes que tiverem suas torcidas envolvidas em manifestações de racismo no futebol. Mais do que isso, a Uefa também deu total liberdade aos árbitros para que eles interrompam e até suspendam partidas por conta de gritos racistas ou atitudes preconceituosas contra os jogadores dentro de campo.

A decisão da Uefa acontece depois de inúmeros casos de racismo dominarem o futebol europeu nesta temporada. No Campeonato Italiano, por exemplo, o clássico entre Milan e Roma no San Siro precisou ser interrompido por alguns minutos até que as manifestações da torcida – que tinham Balotelli como alvo – parassem. No Turco, também houve casos graves que fizeram até com que Drogba se pronunciasse via redes sociais.

Essa resolução, porém, não veio sozinha. Em Março, o Conselho Estratégico do Futebol Profissional, que engloba as federações europeias (UEFA), clubes (ECA), Ligas (EPFL) e jogadores (divisão europeia da FIFPro), já haviam aprovarado unanimemente um documento de posição conjunta, destinado a combater o racismo e a discriminação na modalidade.

Agora, com a medida adotada pela Uefa, os regulamentos disciplinares das competições para a temporada 2013/2014 terão sanções mais pesadas contra os casos de racismo – eles já foram revisados e aprovados pelo Comitê Executivo da Uefa.

A resolução do Congresso foi ratificada pelo Comité Executivo da UEFA na sua reunião em Londres, esta semana. Os regulamentos disciplinares da UEFA para a temporada 2013/14, igualmente aprovados pelo Comité Executivo esta semana, foram revistos de modo a incluir sanções contra o racismo mais pesadas.

 
Veja a resolução adotada no XXXVII Congresso Ordinário da UEFA:

• Os Estatutos da UEFA estabelecem que é um objectivo-chave a promoção do futebol por toda a Europa num espírito de paz, “fair play” e sem qualquer tipo de discriminação.• Similarmente, os 11 valores-chave da UEFA contêm uma promessa de que a UEFA adoptará uma política de tolerância zero em relação ao racismo.

• Estes 11 valores declaram que o futebol deve dar o exemplo. O futebol une as pessoas e ultrapassa diferenças. O Respeito é por isso um princípio fundamental da modalidade.

• Com base neste cenário, o futebol europeu está unido na sua crença firme de que o racismo, e outras formas de discriminação, devem ser banidos do futebol para sempre.

• Por este meio, a UEFA e as suas federações-membro decidem redobrar os seus esforços para erradicarem o racismo do futebol. Sanções mais severas devem ser impostas por qualquer forma de comportamento racista que afecte a modalidade.

• Os árbitros devem interromper, suspender ou até mesmo dar como terminado um jogo se ocorrerem incidentes racistas. Segundo as directrizes em três passos da UEFA, um jogo será primeiro interrompido, dando-se um aviso público. Em segundo lugar, o jogo será suspenso por um determinado período de tempo. Em terceiro, e após acção coordenada com os agentes de segurança, o jogo será dado como terminado caso o comportamento racista não termine. Nesse caso, a equipa responsável sofre uma derrota administrativa.

• Qualquer jogador ou dirigente considerados culpados de conduta racista devem ser suspensos pelo menos durante dez jogos (ou um período de tempo correspondente para representantes de um clube).

• Se adeptos de um clube ou selecção adoptarem um comportamento racista, este clube ou selecção deve ser sancionado (pela primeira ofensa) com o encerramento parcial do estádio, na secção onde o incidente racista ocorreu. Pela segunda ofensa, a sanção é agravada, passando a encerramento completo do estádio, bem como uma penalização financeira. Para além disso, os adeptos considerados culpados de comportamento racista devem ser impedidos, pelas autoridades estatais, de assistirem a jogos no futuro.

• É exigido a clubes e federações que implementem programas de consciencialização para combater o racismo. Além disso, as sanções disciplinares por qualquer tipo de comportamento racista devem ser acompanhadas por esses programas de consciencialização, para os quais as organizações anti-racismo podem ser uma ajuda preciosa. A educação vai ajudar a abordar o problema, tanto no futebol como na sociedade.

• Jogadores e treinadores também devem ser líderes na luta contra o racismo. Combatam-no através das palavras – é parte do vosso dever para com o futebol.

• A UEFA está totalmente empenhada nestas políticas de sanções fortes e consciencialização, e todas as federações nacionais apoiam a implementação de políticas semelhantes, após observarem as suas próprias circunstâncias internas. O futebol tem que ver com liderança, dentro e fora do relvado. O futebol europeu está unido contra o racismo. Vamos colocar um ponto final no racismo. Agora.

Fonte:  http://espn.estadao.com.br

São Paulo – Brasil –  13:15

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JGalvão

Cruyff afirma que não colocaria Messi e Neymar juntos

Cruyff Técnico da Catalunha (Foto: Getty Images)Cruyff é contrário à escalação de Neymar ao
lado de Messi no Barcelona (Foto: Getty Images)

Considerado por alguns, inclusive Pep Guardiola,  o criador da maneira de jogar do Barcelona, Johan Cruyff se mostrou contrário à possível contratação de Neymar pelo time catalão.  O ex-jogador holandês, que comandou a equipe entre 1988 e 1996, explicou que não colocaria o brasileiro e Lionel Messi no mesmo time.

- Eu não colocaria dois craques no comando do mesmo barco.  É só olhar no passado e aprender – argumentou Cruyff.

O Barcelona já fez algumas propostas ao Santos para contar com Neymar na próxima temporada, mas todas foram recusadas pelo clube paulista. Porém, o clube catalão estaria tranquilo para assinar com o camisa 11, já que existe um suposto desejo do brasileiro em atuar ao lado de Messi e cia.

Fonte:  http://globoesporte.globo.com

São Paulo – Brasil – 12:58

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JGalvão

“Echte Liebe” – O ‘amor verdadeiro’ que move o Borussia Dortmund

Juergen Klopp Felipe Santana comemoração Dortmund Real Madrid (Foto: Reuters)Felipe Santana é abraçado por Klopp: técnico é tão fanático quanto a torcida (Foto: Reuters)

“Echte Liebe”. A expressão em alemão pode não estar na ponta de sua língua, mas é a melhor e mais prática referência quando se fala de Borussia Dortmund. Numa tradução literal, o mantra significa “amor verdadeiro” e simboliza com perfeição o que moveu o clube em oito anos de uma falência financeira até a finalíssima da Liga dos Campeões, a ser disputada neste sábado, às 15h45m (de Brasília), no mítico estádio de Wembley, em Londres, contra o rival Bayern de Munique.

O ano era 2005. Afundado numa dívida de € 180 milhões (R$ 468 milhões), o Borussia via como necessário mudar radicalmente todos os seus costumes. Curiosamente, havia sido campeão europeu sete anos antes muito por conta de uma fórmula completamente abolida em tempos atuais: altíssimos salários aliados a contratações exorbitantes e até certo ponto midiáticas, como os € 25 milhões pagos para tirar o brasileiro Amoroso do Parma. O sucesso repentino em 1997 fez os dirigentes confiarem que ali estava o caminho. Bastaria segui-lo à risca e pronto: seria questão de tempo para se tornar um Milan ou um Real Madrid, por exemplo.

Jurgen Klopp Borussia (Foto: Divulgação / Puma)Estrategista? O técnico Jürgen Klopp trouxe nova mentalidade ao Borussia (Foto: Divulgação / Puma)

O Borussia acreditou. Não apenas persistiu no erro, como tentou inovar. Foi o primeiro clube da Alemanha a entrar no mercado de ações de Frankfurt. Também jogou rios de dinheiro ao tentar criar uma própria empresa fornecedora de material esportivo. O próximo passo seria a quebra financeira. Com as receitas bloqueadas, o clube ainda viu o Westfalenstadion ser hipotecado e teve de ceder seu nome numa tentativa urgente de angariar lucros – a companhia de seguros Signal Iduna é a detentora do “naming rights” até hoje.

Andreas Möller Borussia Dortmund (Foto: Getty Images)Andreas Möller ergue taça da Champions de 97:
Borussia entraria em crise pouco depois (Getty)

A situação era tão delicada que o próprio Bayern tirou dos seus cofres € 2 milhões – valor considerado migalha para os bávaros, historicamente sempre organizados. Muito embora num ato mais de cordialidade do que propriamente com a intenção de salvar o rival, sem reações e com todo o caixa no vermelho.

– Peguei o começo do problema do Dortmund. Infelizmente quebrou na bolsa e teve que se desfazer de alguns jogadores, como eu, o Rosicky, o Amoroso. Jogamos dois anos inteiros cobrando 20% a menos do que previa no nosso contrato. Foi algo que o grupo inteiro concordou. Mas aí chegou num momento em que para renovar não tinha mais condições e acabei saindo para o clube conseguir algum dinheiro – contou o atacante Ewerthon, que defendeu o Borussia entre 2001 e 2005, sagrando-se campeão alemão em 2002 antes de se transferir para o Real Zaragoza, da Espanha.

Razão e paixão andam juntas

A reestruturação anunciou-se com a chegada de um dos grandes nomes de todo o processo: o chefe-executivo Hans-Joachim Watzke. Apoiado na filosofia de que um clube de futebol deve ser visto como uma empresa, ele logo contratou a consultoria alemã Roland Berger para atuar em quatro vertentes: o estratégico, o financeiro, a gestão e a eficiência operacional.

Capital era mais do que necessário para tomar as primeiras medidas e, em meados de 2006, o Borussia pegou um empréstimo de € 125 milhões junto a um banco americano. Comprou de volta o estádio, que se transformou num grande aliado na campanha com 100% de aproveitamento em casa na Champions, e utilizou o restante nas divisões de base. Gastos excessivos foram cortados, e o elenco passou até a viajar para jogos fora de casa de ônibus. Graças a Watzke, o time ainda criou uma estratégia baseada num estilo ofensivo, encantador. Os torcedores, apaixonados por jovens jogadores formados no próprio time, logo se integrariam na missão de recolocar o Dortmund no topo do país e continente.

- Michael Zorc (manager e ex-jogador do clube por 17 anos) e eu desenvolvemos uma filosofia na qual o time deveria jogar verticalmente, colocar o adversário permanentemente sob pressão. Em seguida foram selecionados os jogadores – é uma tarefa mais fácil quando se tem jovens – e encontramos em Jürgen Klopp o treinador ideal – disse Watzke.

Michael Zorc e Hans-Joachim Watzke diretor Borussia Dortmund (Foto: AFP)Michael Zorc e Hans-Joachim Watzke: dirigentes fundamentais na recuperação do clube (Foto: AFP)

O Borussia chegava, então, ao seu “Echte Liebe”. Personificado em Klopp, mantinha a razão e paixão de mãos dadas. Em sua primeira entrevista coletiva, o ex-treinador do modesto Mainz 05 prometeu que a partir de então o Dortmund viveria de jogos intensos e emocionantes. Os torcedores logo se renderam ao estilo, baseado na vontade de se doar por completo para o time.

- Tal como cada pessoa que trabalha no Borussia é um torcedor do clube, o mesmo aconteceu no Mainz. Quando eu era jogador lá tínhamos 800 torcedores em sábados chuvosos e se alguém morresse ninguém iria noticiar ou ir ao nosso funeral. Mas amávamos o clube e temos esse mesmo sentimento aqui no Dortmund. É um clube muito especial, um clube de trabalhadores – afirmou Klopp em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”.

Influência – inusitada – do Barcelona de Messi

Trabalho, por sinal, não faltou ao irreverente Klopp. Se hoje o Borussia é um time dos sonhos com uma base de jovens faminta pelo sucesso, muito foi feito pelo treinador e seus superiores. A primeira tarefa foi eliminar qualquer semelhança com o passado, quando o clube era associado à arrogância por conta de seus delírios de grandeza. Klopp utilizou métodos curiosos para impôr seus conceitos na prática.

- Eu pegava as fotos das comemorações de gol de Messi no Barcelona. Ele celebrava cada um como se fosse o primeiro que tivesse marcado na carreira. É algo perfeito para mostrar ao meu time. Faço isso com frequência. Não uso vídeos porque eu não copio o estilo do Barcelona. Mas você vê todos comemorando o gol número 5.868 como nunca fizeram antes. Isso é o que você sempre deve sentir – até morrer. Você pode falar de espírito. Ou pode viver tudo isso.

- Klopp montou o elenco, ele é a motivação do time, ele acredita no Borussia. É um cara maluco positivamente, vive suas emoções como um jovem. Definitivamente, é ele quem cria essa boa e vencedora atmosfera – opinou Hartwig Hasselbruch, jornalista da renomada revista “Kicker”.

Messi comemora gol do Barcelona sobre o Milan (Foto: AFP)Klopp mostrou fotos como esta, de Messi comemorando um gol pelo Barcelona, a seus jogadores (AFP)

Como apenas entrega não vence jogo, Klopp precisou recrutar o que se transformariam em seus pupilos ao longo dos últimos anos. O paraguaio Lucas Barrios foi o primeiro, destacando-se na conquista do Campeonato Alemão de 2010/2011 e em clássicos contra o Bayern. Custou € 4,2 milhões junto ao Colo Colo, do Chile, em 2009 e, diante de tantos gols, acabou vendido ao chinês Guangzhou Evergrande por € 8,5 milhões em maio de 2012, logo depois do bicampeonato nacional e pouco antes do título da Copa da Alemanha. Um pouco mais do que 100% de valorização.

Kagawa e Götze, os ‘filhos postiços’

Quem mais encantou o técnico alemão, no entanto, veio basicamente sem custos. Em meados de 2010, o Borussia Dortmund acertava a contratação do então desconhecido Shinji Kagawa, do Cerezo Osaka, pelo valor de sua cláusula de rescisão – meros € 350 mil (cerca de R$ 900 mil na cotação atual). Convenceu rapidamente os fãs com o seu futebol plástico e inteligente e, merecidamente, entrou para a seleção da Bundesliga logo em seu primeiro ano. Sua saída para o Manchester United, em 2012, viria a machucar o coração do “paizão” Klopp. Fato potencializado quando atestou que o camisa 10 não estava sendo de fato bem aproveitado por Sir Alex Ferguson.

- Kagawa é um dos melhores jogadores do mundo e agora joga 20 minutos no Manchester United – como ponta-esquerda! Realmente, eu tenho lágrimas em meus olhos. Meia central é o lugar ideal para ele, que é um jogador ofensivo com um dos melhores faros de gol que eu já vi. Mas para muitos japoneses significa mais jogar no United do que no Dortmund. Choramos por 20 minutos, um no ombro do outro, quando ele saiu – contou.

Mais recentemente, Klopp viveu caso semelhante com Mario Götze, o novo herdeiro da camisa 10 – mas que também já está de malas prontas, desta vez para o Bayern de Munique, a quem se referiu como “vilão dos filmes de James Bond” por contratar seus melhores atletas. O anúncio da transação foi feito no fim de abril, ainda com a temporada em jogo, e abalou as estruturas no Borussia.

- Foi como um ataque do coração. Aconteceu um dia depois da vitória contra o Málaga (nas quartas de final). Tive um dia para comemorar e aí alguém pensou: “chega, volte para o seu lugar no chão”. No nosso CT o Michael Zorc (manager do clube) andou como se alguém tivesse morrido. Ele disse: “eu tenho que te falar uma coisa…” (…). Eu não consegui dormir naquela noite, essa é a verdade. Liguei para seis ou sete jogadores que sabia que ficariam afetados. Eles pensaram que não eram bons o bastante e queriam vencer juntos. Esse é o motivo pelo qual a notícia machucou muito eles. Mas o Bayern disse ao Mario: agora ou nunca. Eu falei para ele que não era assim, que eles viriam em dois, três anos. Mas ele é um menino de 20 anos e pensou que precisava ir. Eu sei o quão difícil será achar alguém para substituí-lo no próximo ano, mas vamos jogar diferente. Apenas leva tempo – recordou.

Kagawa Götze Borussia Dortmund (Foto: AFP)Kagawa e Götze encantaram Jürgen Klopp: técnico criticou pouca utilização do japonês no United (Foto: AFP)

‘Queremos jogar o tipo de futebol que as pessoas se lembrem’

Götze praticamente já faz parte do passado para o Borussia. Descartado da final por não se recuperar de uma lesão muscular na coxa direita sofrida na semifinal contra o Real Madrid – ao menos a justificativa é essa -, ele verá os holofotes se voltarem ao polonês Robert Lewandowski. Com dez gols na edição da Champions (quatro deles marcados num só jogo contra o Real Madrid), o atacante é outro grande exemplo de que este Borussia deu certo: foi contratado por € 4,5 milhões em 2010 e, se deixar o clube neste mercado, não será por menos de € 20 milhões. Para o pesadelo do treinador, o Bayern é o favorito a contratá-lo.

Apesar de ter 1,84m e reunir os trejeitos de um centroavante clássico, Lewandowski encaixou-se perfeitamente no esquema que Klopp propôs: o “gegenpressing”, de explicação simples, mas funcionamento complexo para quem começa do zero. Realizar a transição rápida a partir do momento em que rouba a bola, seja no campo defensivo ou ofensivo, como no gol marcado pelo próprio polonês diante do Málaga, nas quartas de final, depois de receber passe açucarado de Reus.

Robert Lewandowski gol Borussia Dortmund jogo Real Madrid (Foto: Reuters)Com os quatro gols sobre o Real, Lewandowski
assumiu a vice-artilharia da Champions (Reuters)

- Dortmund é um lugar que as pessoas exigem que o time deva jogar com as características mais próximas ao meu coração: com muito sentimento envolvido e intensidade até o último minuto. Queremos jogar o tipo de futebol que as pessoas se lembrem – ressaltou Klopp.

Os jogadores compraram este conceito e fizeram do Borussia hoje um modelo distinto de futebol. Talvez até um exemplo, ainda que soe familiar pelas influências da ofensividade do Barcelona e, principalmente, do esquema defensivo do Milan de Arrigo Sacchi. Klopp aprimorou sua tese desde os tempos em que era comandado por Wolfgang Frank no Mainz 05.

- Apesar de estarmos na Segunda Divisão fomos o primeiro time alemão a jogar no 4-4-2 sem um líbero. Assistimos a um vídeo chato 500 vezes do Sacchi fazendo exercícios de defesa sem a bola com Ladini, Baresi e Albertini. Estávamos acostumados a pensar que se os outros jogadores eram melhores, você deveria perder. Depois disso aprendemos que qualquer coisa é possível. Você pode bater equipes melhores usando táticas – afirmou o treinador, que recebeu alguns telefonemas de José Mourinho depois de conseguir anular Xabi Alonso e, consequentemente, Cristiano Ronaldo nas semifinais da Champions.

Robô-jogador e uma torcida apaixonada

A tecnologia também entra em ação no Borussia quando o assunto é o aperfeiçoamento. Um dos (nem tão) segredos dos treinamentos do time é o auxílio do “Footbonaut”, um mini-campo robótico de 14m² com oito canhões que lançam bolas para os jogadores testarem sua precisão nos passes.

- Parece que você está cercado de dez colegas de time que estão ali só para te dar assistências – disse o meia Mustafa Amini, uma das “cobaias”.

Vem das arquibancadas outro grande fator que pesou na reconstrução dos aurinegros. A atuação da “Muralha Amarela”, setor no Signal Iduna Park atrás de um dos gols que foi preservado pela sua importância histórica, repercutiu pelo continente. Para os europeus mais modernos, era difícil acreditar que 25 mil pessoas assisitiam a todos os jogos de pé, pulando e interagindo – como no mosaico em 3D feito contra o Málaga. Ou que conseguiam manter uma média de 80.551 torcedores no último Campeonato Alemão – a melhor do planeta.

Muitos deles não poderão estar em Londres pelo alto custo da viagem – e também dos ingressos. Essa já era uma das preocupações de como ajudar a incentivar o time nos momentos mais difíceis do jogo, mas a Uefa tratou de complicar a situação dos aurinegros e vetou qualquer mosaico em Wembley por questões de segurança.

- É muito triste para nossos torcedores. No meio das arquibancadas, há a seção VIP. Não dá para fazer as coreografias, porque é preciso todo o espaço – lamentou Daniel Lörcher, secretário do clube.

Há quem acredite, porém, que o torcedor dará o seu jeito ao fazer da final um espetáculo. Para a imprensa alemã, os fãs do Borussia são em geral mais preocupados com o que se passa nas arquibancadas, ao contrário da torcida do Bayern, um público com perfil mais observador. Mas esta, é claro, não é a única diferença entre os dois finalistas.

Faturamento do Bayern é duas vezes maior

O contexto coloca em confronto dois estilos de clubes que chegaram até o topo com méritos. Segundo levantamento feito pela empresa de consultoria “Deloitte”, o Borussia Dortmund é hoje, oito anos depois de sua falência, o 11º clube mais rico do mundo, com € 189 milhões gerados em 2012. A presença na Liga dos Campeões trouxe uma arrecadação de € 28,3 milhões ao clube, que possibilitará realizar novos acordos comerciais – ainda a maior fatia da pizza, com € 97,3 milhões de faturamento (51%).

O Bayern, no entanto, arrecadou quase o dobro. É o quarto clube na lista – atrás do Real Madrid, Barcelona e Manchester United -, com € 368 milhões de receitas na temporada 2011/2012 (55% deste montante com as dez empresas que o patrocinam). O que possibilitou, por exemplo, sequer consultar o Borussia para comprar a revelação Mario Götze.

- É um pouco parecido com o que os chineses fazem na economia ou na indústria. Olha os outros e copia o que eles fazem. Pega o mesmo caminho, só que com mais dinheiro e outros jogadores. E, naquele momento, você vai ser o melhor de novo – alfinetou Klopp, sobre as semelhanças entre o Bayern e o Borussia quanto ao estilo de jogo. Curiosamente, a frase veio um mês antes de tomar conhecimento da aquisição de Götze.

Devoto de sua filosofia, o Borussia tem plena consciência de que poderá perder novos destaques para outros centros ou até mesmo ver o filme se repetir com o Bayern. O que importa, de fato, é a fidelidade ao “Echte Liebe”, refletido nas palavras de Hans-Joachim Watzke. E nem o título da Liga dos Campeões com todos os seus bônus mudaria esse panorama.

- Nesse clube, apenas gastamos o dinheiro que ganhamos. Esse é o nosso paradigma, e é assim que continuará. Escolhemos uma rota sustentável e mesmo se vencermos a Champions não nos transformaremos – encerrou.

Fonte:  http://globoesporte.globo.com

São Paulo – Brasil – 00:21

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JGalvão

Diferentes gerações, Heynckes e Klopp decidem a Liga dos Campeões

A decisão da Liga dos Campeões, neste sábado, entre Bayern de Munique e Borussia Dortmund, terá um duelo entre dois grandes treinadores de gerações diferentes, Jürgen Klopp e Jupp Heynckes.
Jupp Heynckes é jogado para o alto pelo elenco: técnico deixa o time ao final da temporada
Jupp Heynckes é jogado para o alto pelo elenco: técnico deixa o time ao final da temporada - Reuters
Heynckes tem 67 anos e está chegando ao final da carreira. A aposentadoria pode até não acontecer ao término desta temporada, como chegou a ser dado como certo pelo Bayern, mas virá em breve. Já são mais de duas décadas de sucesso nos bancos de reservas da Alemanha e de outros países da Europa.
Como jogador, ele também obteve ótimos números, tendo sido artilheiro do Campeonato Alemão, quando ainda atuava pelo Borussia Mönchengladbach, além de ter feito parte da seleção alemã que foi campeã da Eurocopa de 1972 e da Copa do Mundo de 1974.
A carreira como treinador também começou no Gladbach, equipe que assumiu em 1979, com 34 anos, e deixou em 1987, para ir pela primeira vez para o Bayern. Além dos dois clubes, Heynckes comandou o Schalke 04 e o Eintracht Frankfurt.
Na primeira passagem pela equipe da Baviera, o técnico conquistou o título do Campeonato Alemão duas vezes seguidas, em 1989 e 1990. Na temporada 1991/1992, foi demitido, após quatro jogos sem vencer, o que foi classificado pelo então dirigente do Bayern e atual presidente, Uli Hoeness, como o erro mais grave de sua carreira.
Após a demissão, Heynckes foi para a Espanha, onde treinou Athletic de Bilbao, Tenerife e Real Madrid, onde quebrou um jejum de 32 anos do clube sem vencer a Liga dos Campeões. Depois, assumiu o Benfica, voltou ao Athletic, passou por Schalke e Gladbach, clube em que teve que abandonar pela primeira vez a carreira em 2007, por conta de problemas de saúde.
Em 2009, o treinador aceitou voltar ao Bayern na condição de interino para substituir Jürgen Klinsmann e tentar a classificação para a Liga dos Campeões. Depois, passou duas temporadas no Bayer Leverkusen e retornou ao comando do time de Munique.
Os anos, a experiência, os sucessos e as derrotas deram a Heynckes uma serenidade que parece ser sua principal virtude, além de boa vontade para aprender com os mais jovens. Inclusive, alguns dizem que Klopp foi sua referência tática na montagem do Bayern atual.
 Klopp festeja durante a vitória do Borussia Dortmund sobre o Real Madrid

Klopp festeja durante a vitória do Borussia Dortmund sobre o Real Madrid - Getty
Já Klopp, de 44 anos, pertence à geração de técnicos alemães que surgiram nos últimos anos. Sua carreira como jogador não foi de muito sucesso, o que causou brincadeiras do próprio. Como treinador, por outro lado, se tornou uma das revelações ao levar o Mainz 05 à elite nacional em 2004.
Na temporada 2008/2009, o Bayern, que queria um treinador jovem, pensou nele e chegou a sondá-lo, mas decidiu contratar Jürgen Klinsmann.
Klopp então foi contratado pelo Borussia Dortmund. Em sua primeira temporada, foi sexto colocado no Campeonato Alemão, na segunda, quinto, e na terceira veio a glória com o título de uma equipe feita com contratações baratas e jovens da base.
Depois do bicampeonato do Dortmund, Uli Hoeness foi interrogado se não se arrependia de não ter contratado o treinador. O dirigente, então, reconheceu as conquistas do técnico, mas afirmou que o Bayern talvez não o desse tanto tempo para obter sucesso quanto o rival deu.
Klopp continuará no Borussia, enquanto o Bayern trocará a geração do comando. A equipe de Munique apostou recentemente em Louis van Gaal e Heynckes, dois técnicos experientes,e passará a contar com Josep Guardiola na próxima temporada.
 

Fonte:  http://espn.estadao.com.br

São Paulo – Brasil –  23:57

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JGalvão

Gás de xisto ameaça a qualidade das cervejas da Alemanha

A Federação das Cervejarias Alemãs (Brauer Bund) advertiu o governo da Alemanha de que a extração de gás de xisto (shale gas) ameaça contaminar o lençol freático do país. Mas o problema não é apenas ambiental: a qualidade da tradicional cerveja alemã, admirada em todo o mundo, corre sérios riscos – adverte a Brauer Bund.

O processo de extração do shale gas envolve técnica de fratura hidráulica conhecida como fracking. Consiste em injetar água, areia e produtos químicos no subsolo para pressionar os depósitos de gás para a superfície.

“Acreditamos que um efeito de longo prazo do fracking nos lençóis freáticos não pode ser descartado”, diz a carta enviada pela Brauer Bund a seis ministros do governo alemão. “A oferta segura de água não contaminada para a indústria de bebidas não pode ser garantida.”

De acordo com a revista alemã Der Spiegel, a composição da cerveja na Alemanha é regulamentada pela “lei de pureza” (Reinheitsgebot) desde 1516. O produto não pode conter nada além de água, cereal maltado, lúpulo e fermento.

O governo liderado pela chanceler Angela Merkel elaborou projetos de lei para regulamentar a extração do shale gas. Concordou, na semana passada, em proibir ofracking em áreas de nascentes e na proximidade de lagos.

Os cervejeiros, no entanto, dizem que as propostas não são suficientes para garantir a integridade do suprimento de água.

Revolução energética. Na reunião de cúpula europeia de quarta-feira, 22, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a Europa “não pode ficar para trás na corrida global”.

O Continente tem 75% dos recursos de energia de xisto dos Estados Unidos. Mas os americanos estão perfurando 100 vezes mais rápido do que os europeus.

Os resultados obtidos nos Estados Unidos colocam toda a competitividade da indústria mundial em alerta – e tende a provocar uma verdadeira revolução energética no mundo.

Apenas desde 2008 até o ano passado, a exploração por fracking reduziu o preço do gás natural à indústria americana em mais de 60%. E os preços praticados hoje nos Estados Unidos chegam a estar até 80% abaixo dos cobrados na Europa.

Segundo Marc-Oliver Huhnholz, porta-voz da Brauer Bund, “pelo menos metade das cervejarias da Alemanha tem seus próprios poços, por causa do grande volume de água utilizado. Essas fontes nem sempre estão localizadas em áreas protegidas”. (As informações são da Dow Jones.)

Fonte:  http://economia.estadao.com.br

São Paulo – Brasil – 23:44

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JGalvão

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